Os Megaeventos esportivos não trouxeram nenhum incentivo à prática esportiva no país

04 de janeiro de 2017 ● POR Pedro Cunácia

Passado o período dos grandes eventos esportivos no Brasil é bem provável que tenhamos perdido a maior chance da história para desenvolvermos o esporte no país. Não só pela preparação que deveria ter acontecido para os jogos, mas também pela possibilidade de desenvolvimento de políticas adequadas para a integração do esporte e da atividade física no cotidiano.
Pragmaticamente quais foram as políticas definidas para nosso futuro? Como foi feita a articulação do incentivo à prática esportiva nos diversos níveis privados e públicos? Quais as articulações entre a escola e as políticas de desenvolvimento esportivo? Quais a articulações definidas entre o esporte recreativo, profilático e o esporte de competição? Como foram pensadas as etapas de transições entre as formas de prática, as idades e os objetivos?
Onde estão essas políticas? Quais são as políticas de Estado para o esporte e atividade física? Como estão suas implementações? Quais são os níveis de participação esportiva planejados para os próximos 10, 20 e 30 anos? Quais são as políticas de prática esportiva diante do envelhecimento da população? Quais os caráteres profiláticos desejados?
São perguntas que se adequadamente respondidas correspondem a milhões de reais em produtividade, em economia com saúde no sistema público, em redução de absenteísmo e no desenvolvimento e consolidação de uma cultura esportiva.
Provavelmente continuaremos com alguns abnegados que desenvolverão trabalhos de excelência nos mais diversos campos da prática esportiva, mas não será a norma. Continuaremos vendo a exaltação da superação das condições sociais impostas através do esporte, como se isso fosse um fato de qualificação da conquista.
De fato, é um foco de tristeza que se exalte sistematicamente condições sociais desfavoráveis e sua possível superação por meio do esporte e não exaltemos que temos um sistema eficiente de desenvolvimento esportivo nos mais diversos cenários. Um sistema pragmático sem que seja alicerçado em questões ideológicas dominantes de turno.
Finalizo desejando a todos um 2017 muito melhor do que 2016.
E afirmando que não há Legado.
Flávio Rebustini é Doutor pela UNESP/Rio Claro. Membro do LEPESPE – Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte/UNESP-RIO CLARO. Coordenador da Especialização em Psicologia do Esporte da Universidade Estácio de Sá. E-mail: frebustini@uol.com.br