Foi uma ginástica para chegar lá

25 de fevereiro de 2015 ● POR Redação

Não é porque é dono da Bio Ritmo, rede de academias paulistana, que Edgard Corona, de 58 anos, faz apologia da malhação pesada. “No Brasil, quem consegue se exercitar diariamente é um herói”, diz. “Nos Estados Unidos, o expediente acaba às 5 e, em poucos minutos, você está na academia. Aqui, as pessoas saem tarde, pegam condução cheia e chegam mortas em casa.”

Ele próprio não segue um treino impossível: exercícios aeróbicos e musculação, no mínimo três vezes por semana, mantendo os batimentos cardíacos altos por 45 minutos. Em 2009, ele inaugurou a Smart Fit, bandeira econômica do grupo, que oferece mensalidades a partir de 50 reais. “O empreendedor tem de ter um papel social”, diz. “O meu é ajudar a combater o sedentarismo.”

“Virei dono de academia por acaso. Estudei engenharia química para tocar uma usina de açúcar e álcool, localizada na região de Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, que pertencia à minha família. Trabalhei lá 14 anos.

Quando os negócios passaram para a terceira geração, as disputas de poder entre os parentes tornaram as coisas difíceis. Sou um cavalo muito bravo para ficar sentado disputando poder. Pedi demissão.

Em 1984, eu tinha entrado na sociedade de uma escola de natação, em São Paulo. O projeto era de um professor de natação muito bom. Na época achei que tinha tudo a ver, pois eu nadava e jogava polo aquático. Foi uma resolução que tomei bebendo uma pinga na praia.

Tinha acabado de pedir demissão e andava muito cansado. Como a academia ainda estava em construção e era dezembro, resolvi viajar com meus filhos para uma estação de esqui nos Estados Unidos. Eu tinha me separado e fazia um tempão que não viajava com eles. A babá foi junto.

Depois de umas aulas, achei que estava esquiando bem. E me colocaram numa turma de salto. Descobri que não sabia saltar quando já estava no ar. Foi uma queda feia, que fez romper os ligamentos do joelho. Depois de uma cirurgia complicada, passei a fazer sessões de fisioterapia que levavam uma manhã inteira. Não dava para fazer mais nada. Resolvi ver como estava a maldita da academia, que nunca ficava pronta.

A academia finalmente inaugurou. Chamava-se Bio Ritmo. Tinha todos os defeitos do mundo. O arquiteto que fez o projeto não sabia nada. No banheiro masculino, por exemplo, os chuveiros foram dispostos em círculo para banho coletivo. Imaginou ter dez homens, um tomando banho pelado na frente do outro?

Contratei um consultor, que disse que não daria certo sem musculação. Fizemos outro pavimento para uma sala. Daí falaram que musculação sem ginástica não funciona. Erguemos mais um andar para acomodar a ginástica. Depois, apareceu outro consultor, que falou que precisava ter lutas.

Então instalamos o escritório dentro de um contêiner de lata, que ficou num estacionamento, para que o escritório virasse sala de lutas. No verão, parecia um forno micro-ondas. Esquentava pra burro. A cada meia hora tínhamos de sair de lá, porque não dava para trabalhar ali dentro.

A academia começou a dar certo depois que alugamos um lugar maior. Mas o imóvel foi desapropriado para passar o metrô. Nem fiz contas para saber quanto dinheiro foi perdido para não fi­car triste.

Como na vida não vem só coisa ruim, um desses consultores falou sobre um espaço no Conjunto Nacional (grande condomínio comercial e residencial de São Paulo) para alugar. Fui ver e resolvi tentar. Foi em 1996.

Matéria publicada pelo site EXAME