Planejar a reformar a academia é essencial para evitar desperdício e custos extras

12 de novembro de 2012 ● POR Redação

Reformas e substituição de equipamentos são necessárias para o crescimento da empresa, mas podem trazer dores de cabeça que podem ser prevenidas. Saiba como.

No mundo dos negócios, expandir os lucros muitas vezes demanda aumentar também a estrutura física do estabelecimento. Afinal, além de melhorias para trazer mais conforto e espaço aos clientes, as reformas também agregam valor à imagem da empresa, colaborando para o aumento também do seu status. Esse foi, inclusive, um dos motivos que levou Celso Suzuki, gestor da academia Cinética, de Campinas (SP) a investir em uma ampla reforma que levou cerca de um ano para ficar pronta: “fizemos para agregar status, pensando no custo-benefício, e trocamos todos os equipamentos. Essa foi só uma primeira etapa, porque já estamos considerando a segunda, que tem a ver com a expansão”.

Definir o momento de fazer uma reforma em academia pode ser um dilema para alguns gestores, já que esse tipo de serviço acaba, inevitavelmente, impactando no dia a dia de alunos e funcionários, comprometendo até o funcionamento da empresa. Suzuki destaca que uma das maneiras de minimizar o problema é conversar com o pessoal, explicando tanto aos clientes quanto aos colaboradores que a intervenção é passageira e vai trazer melhorias: “eles sempre entendem”. Outra possibilidade é escolher épocas de baixa frequência, como julho, dezembro e janeiro para trabalhar as mudanças estruturais no ambiente.

A arquiteta Patricia Totaro (www.patriciatotaro.com.br), experiente em projetos e reformas de academias, da capital paulista, conta que planejamento é essencial para evitar o comprometimento do funcionamento da academia: “e é no projeto de arquitetura que se resolve isso, enquanto ainda está no papel, já pensando na academia inteira, em todos os ambientes que queremos ou precisamos remodelar”.
Com essa organização, a profissional orienta que se pode realizar a obra em etapas, que apesar de prolongar seu tempo de andamento, interfere menos no funcionamento da empresa, mas destaca: “nossa experiência mostra que em obras bem planejadas, 5% dos alunos param de frequentar a academia pelo incômodo”.

Reformar a academia: é preciso investir

Entre optar por uma reforma grande e única, ou pequenas fragmentadas, Suzuki é enfático: “a grande é mais sofrida, mas o impacto de ter uma coisa totalmente diferente no final é um chamariz para os alunos. Teve uma época na qual troquei os equipamentos de dois em dois e o pessoal nem notou a diferença, não sabia se tinha substituído ou não. Assim, acho que a reforma em academia, quando grande, demanda investimento maior, mas compensa o esforço. Vale até fazer financiamento, se endividar um pouquinho e de forma estudada para poder gerar esse impacto positivo”.

Patricia explica que modificar o espaço depende do objetivo do gestor. Se ele quiser causar um impacto rápido em vendas, precisa fazer uma reforma grande, que transforme totalmente o visual da sua empresa. Já o gestor que investe em manutenção constante e que mantém a academia sempre em perfeito estado, a arquiteta sugere pequenas intervenções que criam novidades e geram retenção. “Mesmo assim, de tempos em tempos é bom ‘dar uma mexida’ mais profunda na academia. Estimo, neste caso, um prazo de cinco anos.”

Recorrer a empréstimos de instituições financeiras e gastar a poupança são opções que devem ser cogitadas, mas sempre com muita precaução para não enfiar os pés pelas mãos. Cada gestor deve avaliar bem sua margem de lucro e prejuízo antes de tomar esse tipo de decisão e não deve comprometer muito do orçamento para garantir que consiga honrar todos os seus compromissos. No começo, fica apertado, mas depois pode valer muito a pena. “Ao planejar uma reforma ou mesmo uma construção, oriento o cliente a investir no que dá retorno. É difícil desvincular o desejo pessoal do cliente, mas o certo é investir onde o aluno percebe e, além disso, investir sempre em manutenção pra tudo parecer ‘novo’ e funcionar bem”, propõe Patricia.

“Tem que pensar que academia é um negócio e a gente vende o serviço, então tem que investir na estrutura pra ter qualidade no serviço. Uma comparação interessante é com o táxi: se fosse um taxista, ia ficar 20 anos com um fusca ou ia investir e comprar um carro mais moderno e oferecer mais conforto, um serviço melhor? Porque o cliente percebe isso. Ele olha pro fusca e já pensa que vai ficar no meio do caminho, vai ter problemas e nunca vai chegar ao destino”, compara Celso Suzuki, de forma didática e divertida.

O que transformar quando reformar a academia

Dentre as mudanças mais comuns que costumam ser feitas nas reformas em academia, Patricia cita as “estéticas”, como trocas de piso, revestimento, pintura e iluminação. “A iluminação é um ponto que evoluiu muito nos últimos dois anos e vale muito a pena atualizar a academia com luz. Agora, cor de parede é pra mudar todo ano, assim como elementos decorativos como quadros, detalhes, móveis.”

Outras transformações dependem do investimento e do objetivo da obra. Quando a academia tem alguma questão operacional para ser resolvida, seja porque tem mais de dez anos ou porque o projeto original não estava de acordo com a tendência de mercado, segundo a arquiteta é preciso quebrar paredes e mudar os ambientes de lugar. Aí, um dos espaços que mais sofre transformações são os vestiários. “Geralmente eles são menores do que o necessário e mal distribuídos e esse tipo de reforma é bem delicada de ser feita, porque a academia não consegue funcionar sem banheiros. Se não há lavabos ou outros banheiros, a obra tem que ser feita durante a noite, aumentando bastante o incômodo, o tempo da obra e o custo da mão-de-obra”, orienta. A recepção também costuma ser bastante modificada para se adequar às novas realidades do mercado, ganhando espaço para vendas, que atualmente é algo essencial para os negócios.

Equipamentos reformados, mas com cara de novo

Depois de realizar a reforma em academia, modernizando e renovando os espaços físicos da empresa, chega o momento de renovar os equipamentos e acessórios para que eles também se harmonizem com a nova proposta.

Para academias que cobram mensalidade baixa, Suzuki acredita que adquirir equipamentos reformados ou retrofit seja uma saída bacana para dar outro clima na academia, sem deixa-la defasada: “é reformado, mas tem cara de novo. A desvantagem é que nem sempre consegue tudo da mesma marca e aí a estética fica um pouco comprometida. Equipamento novo, com mesma equipe de manutenção e design uniforme geram investimentos maiores, mas acho que compensa. Ainda assim, cada caso é um caso e o gestor deve pensar no que é melhor para o aluno. Só que entre trocar três equipamentos novos ou reforma-los, prefiro ainda trocar todos e causar o impacto”, opina o gestor da Cinética.

Barato pode sair caro na reforma da academia

Para evitar enfiar os pés pelas mãos, os gestores precisam se planejar e organizar as finanças de forma a considerar imprevistos e até um prazo maior para a reforma em academia. Nem todo colaborador e/ou aluno vai ficar satisfeito com as mudanças, mas elas são benéficas ao negócio quando feitas de forma correta e bem estruturada.

Contratar profissionais especializados, como arquitetos, decoradores e até mesmo uma construtora pode ser bastante vantajoso para o gestor, que ganha tempo e agilidade na reforma, além de conseguir resolver questões técnicas que muitas vezes desconhece. “Mas não adianta querer revolucionar no design. A gente paga um preço muito alto e que não sei se vale o retorno. Recomendo que se pesquise na internet pra ver o que tem dado certo em outras academias. Quem está no interior pode espiar o que os colegas fizeram nas capitais para se basear nas fachadas e inovações. Já quem vive nas metrópoles, como São Paulo (SP), por exemplo, acho que deveria buscar inspiração no exterior, em países como Austrália, EUA, gente que está a nossa frente”, opina Suzuki.

Por Jornalismo Portal EF