Empreender em Educação Física: aprenda com dicas de profissionais bem sucedidos!

21 de maio de 2018 ● POR Alexandre Sinato

Por Alessandro Lucchetti

Mais do que mero modismo, empreendedorismo tornou-se um conceito difuso e onipresente, e já faz parte até mesmo da grade curricular de escolas do ensino fundamental no Brasil. Hoje, no entanto, muitos profissionais da área de Educação Física e demais áreas da saúde, como nutrição e fisioterapia, sentem falta do know-how para lidar com ferramentas para estruturar e gerir seus próprios negócios.

À procura de bons ensinamentos para quem já é empreendedor ou deseja atuar nessa esfera, fomos atrás de dois bacharéis em Educação Física que se reinventaram como empresários, à base de muito esforço e de cabeçadas, e hoje colhem os louros proporcionados pela escolha desse caminho: André Rímoli Costi, dono da ARC Sports, que emprega 52 funcionários e oferece atividade esportiva para escolas, condomínios e clubes, e Fábio Medina, proprietário da Medina Fitness Plus (estúdio de treinamento funcional voltado ao emagrecimento) que atua também na área de programas de saúde corporativos e de programas personalizados para emagrecimento.

Organizamos as dicas oferecidas pelos empresários em tópicos. Confira!

1) Crie autoridade

O mundo da Educação Física é infestado por modismos, tendências e uma infinidade de formas de oferecer bem-estar e aprimoramento estético. Saber restringir o campo de atuação para criar autoridade em determinado segmento é fundamental.

“Nesse aspecto, nossa área não é tão diferente da médica. Imagine um médico que seja ao mesmo tempo cardiologista, infectologista e oftalmologista. Qual seria a chance de ele criar autoridade e se tornar referência em alguma dessas especialidades médicas? Existe muita polivalência em Educação Física. Poucos se especializam. É necessário defender um nicho, nichar para criar autoridade. Se você se especializa como personal para a terceira idade, por exemplo, pode criar um modelo de comunicação compatível e se tornar influente nas redes sociais como profissional atuante nessa área”, ensina Costi, que trabalho como treinador de basquete em clubes como Corinthians, Espéria, Mackenzie/Barueri e AABB de São Paulo antes de descobrir sua veia empreendedora.

“Meu foco é emagrecimento. Se alguém me procurar querendo hipertrofiar músculos, vou recusar esse trabalho. Não vejo esse foco em muitos colegas, que vão fazendo o que aparece. As tendências mudam o tempo todo. Hoje o cara está oferecendo treinamento funcional no parque e amanhã vai atuar no segmento do Cross Fit. Dessa forma, vai pulando de galho em galho sem nunca criar autoridade”, avalia Medina.

2) Se não souber fazer, pague a quem sabe

Abertura de firma, de conta de pessoa jurídica, contabilidade, finanças. Para trafegar em meio a esse emaranhado burocrático, o professor de Educação Física deverá recorrer a bons profissionais. “Já dei muita cabeçada nessa área. Assim que abre sua firma, o profissional da saúde em geral deve pensar como empresário, ser prático e investir em bons profissionais. É importante saber identificar os caras que vão te enrolar e saber fugir deles”, diz Costi.

3) Fluxo de caixa

Conseguiu um bom número de alunos, está entrando uma grana? Que tal reinvesti-la no próprio negócio e contratar profissionais para expandir o negócio?

“Se você se torna um empresário, deve pensar como empresário. O personal deve pensar em algo além de vender a sua presença o tempo todo. Se não der um passo adiante e contratar outros profissionais, como haverá de tirar férias, por exemplo?”, pergunta Costi.

“O personal trainer se sente bem enquanto está dando aulas pela manhã, à tarde e à noite. Dessa forma, ele sente que seu negócio está indo bem. Mas ele deve pensar em algo mais além de vender sua hora-aula o tempo todo. Se não reservar algumas horas para repensar o negócio, entrará num círculo vicioso que não vai lhe permitir um redirecionamento. Eu trabalhava como personal e nos finais de semana ainda tocava grupos de corrida em parques. Sentia-me cansado e parecia que estava me afogando em tanto trabalho. Minha vida mudou quando aprendi o que é planejamento estratégico, tático e operacional. Quando percebi que tinha que me estruturar para perseguir objetivos de longo prazo, reduzi o ritmo. A primeira providência foi desfazer os grupos de corrida. É necessário às vezes diminuir o faturamento e abrir mão de contratos que não dão retorno para focar no que realmente interessa”, apregoa Medina.

4) Nunca parar de estudar

Tanto Costi quanto Medina não concebem uma empresa que ofereça serviços na área de Educação Física que não saiba se comunicar com seu público. Entender de marketing digital, ranquear-se bem no Google, ter blogs, ser bem localizável por meio de buscas orgânicas. Em busca de conhecimento para gerir essas ferramentas, os empresários foram atrás de uma infinidade de cursos.

“É necessário entender todas as etapas da jornada do consumidor. De que forma ele se aproxima, como se deve fazer o marketing, como se fazer uma venda, como manter os consumidores. Aprendi errando muito, fazendo coisas no chute, fazendo muitos cursos pela internet. Há cursos de ótima qualidade, muitos deles gratuitos, em plataformas como a Coursera”, diz Medina.

“Tive que me capacitar. O que vi em cursos de graduação são conteúdos como gestão de uma academia, por exemplo. É necessário muito mais. Desenvolver plano de negócios, por exemplo. Muitas pessoas veem a Smart Fit e tentam imitar esse modelo, mas ninguém entende a lógica do low-cost e acaba quebrando. Fiz muitos cursos presenciais, imersão, cursos pela internet. Há poucos anos atrás não tínhamos coisas como marketing digital e plataformas de Ensino a Distância. É necessário mergulhar nesses mundos, que mudam todo dia”, diz Costi.

5) Não é você que entende de periodização?

Qualquer personal trainer que se preze sabe montar programas de treinos e entende de periodização. Mas poucos têm a sacada de periodizar suas próprias ações como empresários.

“Pouquíssimos personal trainers trabalham com prontuários. É necessário anotar todas as interações,  guardar todas as informações do trabalho com os alunos, como fazem os médicos com seus prontuários. Com o tempo, você vai encontrar correlações e até desenhar o perfil de seu aluno ideal, saber aquilo em que você mesmo é bom. Não dá para querer vender a mesma coisa para todo mundo”, orienta Medina.