Formações em Psicomotricidade

06 de abril de 2018 ● POR Redação

Esta é uma questão que está sendo discutida há algum tempo entre os psicomotricistas e de modo geral podemos encontrar três tipos de formações:  graduação, que atualmente, no Brasil, não existe, pós-graduação Lato -Sensu EAD e presencial  e os cursos de formação que são reconhecidos pela Associação Brasileira de Psicomotricidade ABP e destes cursos de formação, nove são nacionais e dois com formadores estrangeiros que são membros titulares da ABP.

Para que você, caro leitor, possa compreender a importância da capacitação do psicomotricista se faz necessário rever o conceito dado pela Associação Brasileira de Psicomotricidade:

“Psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas.
É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto. Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização.” (Associação Brasileira de Psicomotricidade)

Justamente por sua complexidade e abrangência a Psicomotricidade exige do psicomotricista uma formação onde ele possa vivenciar esta conceituação na prática, mergulhando em si mesmo e é aqui que encontramos a diferença entre os cursos de pós-graduação e os cursos de formação. A maioria dos cursos de pós-graduação oferecem 360 horas divididas em disciplinas ministradas por professores diferentes, que geralmente, não são psicomotricistas, enquanto que um curso de formação específica traz ao formando o respaldo teórico e científico de , no mínimo 660 horas, vivenciado na prática através de vivências de formação pessoal e estágio supervisionado, há uma profundidade e uma identidade marcada pelo formador que, com certeza, é psicomotricista reconhecido.

Segundo Velasco(2016),  “a psicomotricidade tem mais de um século de existência, como ciência reconhecida pela Organização Mundial de Saúde OMS” e com isso, se faz necessária a sua acessibilidade à população. Mas que tipo de psicomotricista atenderá esta demanda?

É inacreditável, mas até pós-graduação à distância existe, aqui no Brasil. “Como assim?”

Por isso, há um movimento pelo reconhecimento da profissão de Psicomotricista através da CBO ( Classificação Brasileira de Ocupações)que regulamenta a atividade profissional protegendo a população contra uma atuação profissional desqualificada. Ser psicomotricista e possuir pós-graduação em Psicomotricidade são duas coisas bem diferentes. Fica o alerta!

Por outro lado, nós, psicomotricistas, não somos contra os cursos de graduação e pós-graduação em Psicomotricidade, pelo contrário, acreditamos que a Psicomotricidade deva estar nas universidades, especialmente, nas públicas, não só como cursos , mas na grade curricular de cursos das áreas de saúde e educação, primordialmente no curso de Educação Física porque é de cortar o coração quando lidamos com um formando em Educação Física que não tem ideia do que seja Psicomotricidade. Além disso, com a Psicomotricidade nos bancos acadêmicos como curso de graduação só viria agregar valor epistemológico à esta que já é reconhecida como ciência há muito tempo. Vale ressaltar que no Brasil já tivemos curso de graduação em Psicomotricidade, mas como acontece com vários cursos em várias universidades, estes cursos foram extintos, infelizmente.

O Brasil possui todos os recursos necessários para a criação de cursos de graduação em Psicomotricidade, basta seguir o modelo de alguns países da Europa e América Latina que reconhecem a psicomotricidade como profissão. Contudo, os cursos de formação não se extinguiriam, pelo contrário poderiam ser parceiros das universidades na graduação e na especialização dos futuros psicomotricistas. Então para você que pretende ser psicomotricista, fica a dica!

 

 

 

ROSA M. Prista,(organizadora). Psicomotricidade: que prática é esta? All Print Editora,2016.