Exercício físico e incontinência urinária

12 de junho de 2018 ● POR Marco Lopes

Você já perguntou para a sua cliente se ela tem perda urinária? A prática regular de exercícios físicos, considerando exercícios aeróbios, de fortalecimento muscular e de flexibilidade, é geralmente indicada no processo de tratamento e na prevenção de doenças crônicas (doenças cardiovasculares, hipertensão, osteoporose, obesidade, diabetes, entre outras). Além disso, tem efeitos positivos nos aspectos emocionais da pessoa, diminuindo os efeitos nocivos do estresse, alívio de tensões, melhora do humor, da ansiedade e depressão. Quando pensamos em todos os benefícios do exercício físico para a saúde, é importante evitar qualquer situação que provoque o afastamento ou interrupção do hábito de se exercitar e, consequentemente, evitar o sedentarismo.

A incontinência urinária é uma doença que atinge mulheres de todas as idades que praticam exercícios e leva inúmeras delas a abandonar a prática de atividades físicas para evitar perder urina durante o exercício. Nesse artigo observaremos a importância do papel do educador físico na prevenção/orientação com relação a incontinência urinária e exercícios físicos.

Incontinência urinária é uma condição definida por: “queixa de qualquer perda involuntária de urina”. Os tipos mais comuns de incontinência urinária são: incontinência urinária de esforço, que é a perda de urina associada com atividades físicas que aumentam a pressão intraabdominal, urgeincontinência, perda involuntária de urina associada com um forte desejo de urinar, e incontinência urinária mista, quando ambos os tipos anteriores estão presentes.

A incidência da incontinência é significativamente maior no sexo feminino. Esse fato é devido a razões anatômicas, mudanças hormonais e consequências de partos e gestações que podem deslocar e enfraquecer os músculos do períneo. Entre as mulheres, o tipo mais comum é a incontinência urinária de esforço, responsável por quase metade dos casos – atingindo com mais frequência mulheres jovens com idades entre 25 e 49 anos. Outros fatores de risco também são considerados para o desenvolvimento da incontinência. Entre eles estão: idade, obesidade, menopausa, cirurgias ginecológicas, constipação intestinal, doenças crônicas, fatores hereditários, uso de drogas, consumo de cafeína, tabagismo e exercícios físicos.

Influência do exercício físico na IU
As mulheres fisicamente ativas apresentam com mais freqüência a incontinência urinária de esforço. Estudos demonstram que os exercícios que exigem muito esforço físico e demandam alto impacto podem ocasionar aumento excessivo na pressão intra-abdominal. Esse aumento na região abdominal pode sobrecarregar os órgãos pélvicos, empurrando-os para baixo, ocasionando danos aos músculos responsáveis pelo suporte desses órgãos. Nesse sentido, o exercício torna-se um fator de risco para o desenvolvimento da incontinência urinária na mulher, principalmente naquelas que não apresentam históricos de partos e gestações.

O impacto causado pela incontinência na mulher não se limita apenas aos seus aspectos físicos. Ela afeta negativamente a esfera sexual, social, doméstica e ocupacional da vida da mulher. Mulheres com incontinência urinária se sentem envergonhadas, constrangidas para a realização de atividades sociais e esportivas, e menos atraídas para o relacionamento sexual. A incontinência também está associada a sentimentos de solidão e tristeza. Estudos mostram que cerca de 80% de mulheres com sintomas graves de incontinência apresentam sintomas depressivos, acompanhados de diminuição da autoestima e aumento da ansiedade.

Papel do exercício e do educador físico na prevenção da IU
A existência de inúmeros benefícios decorrentes do exercício regular para o corpo de maneira geral é inquestionável e o exercício não deve ser desencorajado. Dessa forma, as mulheres com incontinência urinária não devem ser aconselhadas a evitar atividades físicas e esportivas por causa da incontinência. Os profissionais devem ser preparados e informados a respeito da incontinência urinária e suas consequências, para poderem, assim, oferecer orientações e ajuda às mulheres de todas as idades que praticam exercícios e esportes, através de estratégias não invasivas, além de informações, adaptações e cuidados específicos para as que apresentarem esses sintomas durante essa prática. Algumas medidas podem ajudar o profissional a se antecipar e entender, dentro do perfil de cada cliente, se há risco / IU instalada e como proceder: 1- Conhecer sua cliente através de uma anamnese completa e global, 2- criar um relacionamento de confiança, 3- orientar sobre os aspectos da IU (sinais e sintomas, tipos de exercícios que podem aumentar o risco de desenvolvimento), 4- Elaborar uma estratégia de exercícios que fortaleçam musculatura acessória (adutores, abdutores, abdômen, glúteos e diafragma), 5- orientar sua cliente a procurar ajuda média/fisioterápica.

O conhecimento a respeito das características da IU e o atendimento com foco em prevenção/controle dos sintomas é fundamental para que sua cliente continue ativa e se sinta confiante durante os exercícios. Fique atento! Se a sua cliente teve parto normal, já entrou na menopausa e tem sobrepeso, evite exercícios de alto impacto (saltos). Isso não quer dizer que você nunca usará esse tipo de exercício na sua prescrição – é importante que você prepare a musculatura para receber a sobrecarga.

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Autor: Marco Lopes Gerontólogo, Educador Físico e Fisioterapeuta

Bibliografia
CAETANO, Aletha Silva; TAVARES, Maria da Consolação Gomes Cunha Fernandes; LOPES, Maria Helena Baena de Moraes. Incontinência urinária e a prática de atividades físicas. Rev Bras Med Esporte, Campinas, v. 13, n. 4, p.270-274, ago. 2007.