Gestão das emoções nas aulas de Educação Física

09 de novembro de 2018 ● POR Flávio Rebustini

A constante e rápida mudança da sociedade nos remete a ajustes na forma de agir, lidar e de como ensinar as crianças sobre a gestão e adaptação de situações de risco, sejam físicas, sociais e/ou emocionais em seu desenvolvimento. De acordo com Navas (2010), as pessoas precisam aprender e adaptar-se rápida e constantemente para aprender a conhecer, manejar e regular suas emoções para que nos permita adaptar às exigências do meio. Quando temos uma educação emocional é mais fácil produzir as mudanças que necessitamos em nossa vida e dar respostas às questões que, de outra maneira, seriam mais difíceis de entender.

Segundo Rosado e Ferreira (2011), a promoção das aprendizagens exige uma abordagem integrada, considerando a complexidade das variáveis intervenientes nos contextos dinâmicos do ensino e de ambientes positivos de aprendizagem. As aulas de Educação Física se tornam um ambiente produtivo para trabalhar as emoções, pois as habilidades motoras têm relação com o desenvolvimento de fatores psicossociais (RACE, 2008). Cañabate et al. (2018) destacam melhorias no cumprimento das regras, respeitando os outros, desenvolvendo responsabilidade, cooperação, melhorando a autoestima, a solidariedade entre outros aspectos. Além disso, os mesmos autores também consideram o esporte como uma ferramenta de transformação social. As atividades corporais e as práticas esportivas, desenvolvidas nas aulas, podem contribuir positivamente para uma melhor gestão das emoções, sejam negativas ou positivas.

As emoções têm um papel de grande importância na formação integral do ser humano. Compreender as emoções e seu papel, só é possível através da identificação e vivência consciente. Ser capaz de nomeá-las e reconhecê-las em outras pessoas, contribui para um melhor bem-estar e desenvolvimento pessoal (BISQUERRA, 2011).

É necessário destacar que se as socializações promovidas pelo esporte podem ter relações tanto positivas quanto negativas, se orientadas de maneira negativa, essas práticas que são norteadas por adultos (professores, pais e técnicos), devem respeitar os limites dos jovens praticantes ou o resultado pode ser devastador, tendo um efeito totalmente contrário. O papel do professor é, portanto, vital, na medida em que eles são necessários para gerenciar essas práticas, sendo dele o papel de decidir o que pode ser cobrado de cada aluno, pois exigir mais do que ele é capaz pode gerar resultados negativos.

Compreender que uma criança não é um mini adulto é uma necessidade para adultos que estão envolvidos com crianças e atividades físicas, para que saibam a importância da emoção em sala de aula. Cañabate et al. (2018, p.2), enfatizaram que: [“…a educação cognição deve incluir o desenvolvimento de habilidades como autocontrole, autoconsciência, empatia, escuta ativa, resolução de conflitos e colaboração entre pares”]. Tais habilidades são descritas como capacidade, auto percebida de identificar, avaliar e gerenciar as emoções de si, dos outros e dos grupos. As pessoas que possuem um alto grau de inteligência emocional se conhecem muito bem e também são capazes de sentir as emoções dos outros.

A inteligência emocional é fundamental para a gestão e a educação emocional, por contribuir com a melhora da saúde física e emocional, com a redução de conflitos nas interações sociais, com o estresse e com a promoção de empatia e bem-estar (NAVAS, 2010).

Ainda sobre essa perspectiva de aprendizagem socioemocional, Denham (2007) acredita que na aquisição da capacidade de transformar e utilizar informações, de comportamentos socialmente instituídos e de posturas sociais, permitam realizar análises do comportamento social do outro, sendo capazes de reconhecer os estados emocionais e de gerir as próprias emoções. Segundo ele, são competências centrais para que as crianças desenvolvam e se regulem de um relacionamento saudável com os pares e com a sociedade.

Portanto, bem mais que entender a prática motora e cognitiva, os adultos envolvidos com educação de crianças através da prática corporal, precisam compreender as emoções que permeiam estas atividades. Assim como destaca Bisquerra, (2011, p. 7), “a educação emocional deve ser entendida como um processo de desenvolvimento humano que engloba as circunstâncias pessoais e sociais e envolve mudanças nas estruturas cognitivas, atitudinais e processuais”.

REFERÊNCIAS

BISQUERRA, R. Educación emocional. Propuestas para educadores y familias. Bilbao: Desclée de Brower, 2011.

CAÑABATE, D., MARTÍNEZ, G., RODRÍGUEZ, D., COLOMER, J. . Analysing Emotions and Social Skills in Physical Education. Sustainability, v. 10, n. 5, p. 1585, 2018.

DENHAM, S. A., Dealing with feelings: how children negotiate the worlds of
emotions and social relationships
. Cognition, Brain, Behaviour, 11, 1-48. 2007

GOLEMAN, D. Inteligencia emocional. Editorial Kairós, 2012.

NAVAS, M. C. O. La educación emocional y sus implicaciones en la salud= Emocional education and its implications for health. REOP-Revista Española de Orientación y Psicopedagogía, v. 21, n. 2, p. 462-470, 2010.

RICE, S. G. et al. Medical conditions affecting sports participation. Pediatrics, v. 121, n. 4, p. 841-848, 2008.

ROSADO, A., FERREIRA, V. Promoção de ambientes positivos de aprendizagem. Pedagogia do desporto, 185-206. 2011.

Autores

Ms. Cássio J. S. Almeida – Formado em Educação Física. Especialista em Psicologia do Esporte e Mestre em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.

Rodolfo Codo Rasmusen– Psicólogo. Especializanda em Psicologia do Esporte pela Universidade Estácio.

Flávio Rebustini – Membro do LEPESPE – Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte. Doutor pela Unesp/Rio Claro.