Meditação melhora processo de envelhecimento

30 de outubro de 2018 ● POR Flávio Rebustini

As diferentes fases do desenvolvimento humano, também conhecida como ciclo de vida, é composta por modificações físicas, cognitivas e psicossociais, análogas a sua faixa etária, mas o envelhecimento ainda é visto pela maioria das pessoas como um processo negativo.

A população de idosos está aumentando mundialmente, estima-se que até 2040 as pessoas com 65 anos sejam 1,3 bilhões em todo o mundo, o que traz consigo questões inerentes ao desenvolvimento como: longevidade, qualidade de vida, capacidade funcional, bem-estar, entre outros (SILVA; ASSUMPÇÃO, 2018).

Questionamentos sobre como evitar os declínios ao longo do envelhecimento são comuns e devem ser pensados preventivamente. Muito se fala em envelhecimento bem-sucedido, que se trata de uma visão que atende três critérios:

  1. Baixa probabilidade de doença e incapacidade;
  2. Elevada capacidade funcional física e cognitiva; e
  3. Envolvimento ativo com a vida;

Esta visão ultrapassa o modelo biomédico pois, envolve o bem-estar subjetivo, estratégias para lidar com ganhos e perdas, bem como ajustamento físico e psicológico. Neste contexto ainda, podemos englobar a resiliência, visto que ela é compreendida como fator moderador do estresse, promovendo adaptação positiva nas vivências diárias e auxiliando na regulação das emoções (ARAÚJO; RIBEIRO; PAÚL, 2016)

É essencial que diante dos aspectos inerentes ao processo de envelhecimento e dos desafios que o envelhecer proporciona a cada indivíduo, recursos sejam identificados, promovendo resiliência, melhorando a capacidade de adaptação aos eventos estressores da vida, diminuindo a vulnerabilidade psicológica, aprimorando a capacidade de regulação emocional e bem-estar físico. Estratégias que contribuam para um envelhecimento bem-sucedido, tornam-se extremamente valorosa clínica, familiar e socialmente.

A constante ativação do sistema nervoso simpático provoca um desgaste fisiológico que gera o esgotamento do hipocampo, responsável pelo sistema límbico gerenciador das emoções, da clareza da memória e dos sentimentos, que também afeta o sistema endócrino regulando os níveis de hormônios estressores como cortisol e glicocorticóides enfraquecendo as conexões sinápticas existentes no hipocampo, inibindo a formação de novas memórias. O sistema nervoso parasimpático é o responsável por manter as atividades contínuas corporais e produz uma sensação de tranquilidade e satisfação, em oposição ao sistema nervoso simpático, responsável pelas reações de luta/fuga (DAVIDSON, 2004).

Nesse cenário, a prática da meditação é uma forte aliada nessa busca pois, traz consigo benefícios para as desordens de variadas origens atuando como redutora de ansiedade e dos níveis de cortisol e consequentemente é benéfico para a saúde emocional e física dos seres humanos. (HOLZEL, 2016).

Segundo Menezes et al. (2009) a técnica em si é capaz de gerar uma série de respostas que podem auxiliar na prevenção de inúmeras condições, especialmente aquelas resultantes dos efeitos provenientes do estresse, no manejo de problemas de saúde já estabelecidos aliados aos tratamentos convencionais.

Marciniak e colaboradores (2014) apontaram estudos que têm indicado os efeitos positivos da meditação sobre a cognição e as doenças neurodegenerativas em idosos. Entre esses efeitos destacam os benefícios sobre a atenção, memória, fluência verbal e flexibilidade cognitiva. E reforçam o fato de que a meditação é uma intervenção não-farmacológica que pode objetivar a prevenção do declínio cognitivo no envelhecimento.

Logo, é possível promover a saúde mental e a qualidade de vida para as populações de terceira idade devido aos benefícios advindos dessa prática, que surge nas culturas orientais e que vem se expandido cada vez mais contemplando baixa exigência de desgaste físico com inúmeros benefícios de regulação emocional e fisiológica.

Referências

ARAUJO, Lia. RIBEIRO, Oscar. PAÚL, Constança. Envelhecimento bem-sucedido e longevidade alcançada. Actas de Gerontologia. vol.2, n. 1, 2016, p. 2. Disponível em: http://actasdegerontologia.pt/index.php/Gerontologia/article/view/63/58. Acesso em:21 out 2018.

DA SILVA, Ana Cristina Cardoso; ASSUMPÇÃO, Alessandra Almeida. A influência de mindfulness na qualidade de vida de idosos: revisão narrativa. Pretextos-Revista da Graduação em Psicologia da PUC Minas, v. 3, n. 6, p. 37-51, 2018.

DAVIDSON, Richard J. Well-being and affective style: neural substrates and biobehavioural correlates. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences, v. 359, n. 1449, p. 1395, 2004.

HÖLZEL, Britta K. et al. Mindfulness-based stress reduction, fear conditioning, and the uncinate fasciculus: a pilot study. Frontiers in Behavioral Neuroscience, v. 10, p. 124, 2016.

MARCINIAK, Rafa? et al. Effect of meditation on cognitive functions in context of aging and neurodegenerative diseases. Frontiers in Behavioral Neuroscience, v. 8, p. 17, 2014.

MENEZES, Carolina; DELL’AGLIO, Débora Dalbosco. Os efeitos da meditação à luz da investigação científica em Psicologia: revisão de literatura. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 29, n. 2, p. 276-289, 2009.

Autores

Aline Cristina da Silva é Psicóloga pela UMC e Mestranda em Gerontologia pela EACH-USP.

Rodolfo Rasmusen é psicólogo e especializando em Psicologia do Esporte pela Universidade Estácio.

Prof. Dr. Flávio Rebustini – Coordenador da Pós em Psicologia do Esporte da Estácio.