Qual o impacto das mídias no corpo dos jovens?

05 de dezembro de 2018 ● POR Flávio Rebustini

Nos últimos anos, os estudos que envolvem a imagem corporal de crianças e jovens têm evidenciado um aumento da insatisfação com o próprio corpo. A imagem corporal é compreendida como a “figuração de nosso corpo formada em nossa mente”. Ela é um construto complexo e multifacetado que se subdivide em duas dimensões: perceptiva e atitudinal (TYLKA, 2018). O mesmo autor define a primeira como a exatidão no julgamento do tamanho, da forma e do peso corporal e a segunda envolve pensamentos, sentimentos e comportamentos relacionados ao corpo.

A insatisfação corporal é um componente da dimensão atitudinal e se refere à avaliação subjetiva negativa do próprio corpo, estudos como de (DUNN; LEWIS; PATRICK, 2011), destacam que 50% dos meninos e meninas pré-adolescentes com idade entre 8 e 11 anos demostraram desejo de ser mais magro. Outro fator importante é que meninos pré-adolescentes apresentam preocupações com a autoimagem iguais a homens adultos (SAMPASA-KANYINGA et al., 2017). Já Ricciardelli et al. (2006) também identificaram em suas pesquisas que metade dos meninos pesquisados entre 8 e 11 anos demonstravam estar buscando o aumento da massa muscular. Sampasa Kanyinga et al. (2017) destacam não estarem surpresos com esses achados em razão dos efeitos do acesso as imagens e informações por parte dos meninos originárias das mensagens visuais ligadas à aparência e ao físico com fortes tendências de padronizar os corpos. Clark e??Tiggemann (2007) destacam a vulnerabilidade das crianças e jovens frente às constantes mensagens sociais que tentam definir um padrão corporal, que nos meninos tendem a ser fortes e nas meninas terem corpos magros.

A idealização desses corpos é recorrentemente veiculados nas mídias, nos dias de hoje. As mídias digitais têm se tornado protagonistas. O surgimento de canais de Youtubers e dos chamados “digital Influencers” podem estar reforçando ainda mais essas modificações. O que vai em direção aos apontamentos de Harrison e Hefner (2009) de que o reforço desses padrões de corpo dos jovens é transmitido por agentes socioculturais, como a mídia e os pares. Pesquisadores como Neves et al. (2017) destacam que estudos assinalaram a indigência de programas que intervenham com intuito de prevenir o incremento de imagem corporal negativa em crianças. Nesse aspecto, programas de intervenção tem grande potencial e iniciativas como essas devem ser incentivadas. 

REFERÊNCIAS

CLARK, Levina; TIGGEMANN, Marika. Sociocultural influences and body image in 9 to 12-year-old girls: The role of appearance schemas. Journal of Clinical Child and Adolescent Psychology, v. 36, n. 1, p. 76-86, 2007.

DUNN, Jacquie; LEWIS, Vivienne; PATRICK, Sally. The Idealization of Thin Figures and Appearance Concerns in Middle School Children. Journal of Applied Biobehavioral Research, v. 3, n. 15, p. 134-143, 2011.

HARRISON, Kristen; HEFNER, Veronica. Media, Body Image, and Eating Disorders. The Handbook of Children, Media, and Development, p. 381, 2009.

Mockdece Neves, C., Marcelle Cipriani, F., Filgueiras Meireles, J. F., Frota da Rocha Morgado, F., & Caputo Ferreira, M. E.. Imagem corporal na infância: uma revisão integrativa da literatura. Revista Paulista de Pediatria, v. 35, n. 3, 2017.

RICCIARDELLI, L. A., MCCABE, M. P., LILLIS, J.,THOMAS, K.  A longitudinal investigation of the development of weight and muscle concerns among preadolescent boys. Journal of Youth and Adolescence, v. 35, n. 2, p. 168, 2006.

SAMPASA-KANYINGA, H., HAMILTON, H. A., WILLMORE, J., E CHAPUT, J. P.. Perceptions and attitudes about body weight and adherence to the physical activity recommendation among adolescents: the moderating role of body mass index. Public health, v. 146, p. 75-83, 2017.

TYLKA, Tracy L. 1 Overview of the Field of Positive Body Image. Body Positive: Understanding and Improving Body Image in Science and Practice, p. 6, 2018.

TYLKA, Tracy L. 1 Overview of the Field of Positive Body Image. Body Positive: Understanding and Improving Body Image in Science and Practice, p. 6, 2018.

Autores

Ms. Cássio J. S. Almeida – Formado em Educação Física. Especialista em Psicologia do Esporte e Mestre em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.

Flávio Rebustini Membro do LEPESPE – Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte. Doutor pela Unesp/Rio Claro.