Treino funcional: 5 perguntas que todo professor deve saber responder

06 de setembro de 2018 ● POR Nathalia Almeida

“O treinamento funcional, apesar de não ser uma novidade, vem crescendo cada vez mais no Brasil e atingindo um grande público. Baseado no desenvolvimento das capacidades biomotoras, promove melhor capacidade funcional para realizar funções esportivas e cotidianas.”

De acordo com o professor da Faculdade de Educação Física de Santos da Universidade Metropolitana de Santos (FEFIS-Unimes), Alexandre Rocha, o treino funcional assume características das atividades cotidianas, ao contrário do treinamento tradicional na academia, que costuma ser isolado e cíclico.

“Um dos principais benefícios do treinamento funcional é a possibilidade de realizar um treinamento integrado”, explica Rocha. “Ele trabalha com força, flexibilidade, potência, velocidade, agilidade, coordenação, equilíbrio, resistência de força e aeróbia. Assim, ele também atende outra necessidade moderna, que é a otimização de tempo.”

Construído por exercícios assimétricos, acíclicos e multiplanares, o treinamento funcional exige maior supervisão do profissional de Educação Física. É necessário, além do desenvolvimento inicial, realizar correções e ajustes durante a sessão.
O treinamento funcional vem conquistando cada vez mais o público brasileiro, mas ainda há diversas dúvidas que norteiam a prática esportiva. O professor Alexandre Rocha reuniu as dúvidas mais frequentes entre os interessados em iniciar o treinamento.

A quem se destina o treinamento funcional?

O treino pode ser realizado por todas as idades e é destinado principalmente àqueles que desejam melhorar as funções motoras e rotineiras, como andar, empurrar ou carregar objetos. Como o funcional ajuda na melhora da força, agilidade e flexibilidade, também é adequado para praticantes de diferentes tipos de esporte.

Quais as vantagens do treinamento funcional?

A principal vantagem é o treinamento integrado, juntando em uma única sessão diversas capacidades físicas e habilidades motoras. Além disso, como falamos ali em cima, há também a possibilidade de treinar em um pequeno espaço de tempo.

O treinamento funcional melhora a estética (hipertrofia)?

Tratando-se de uma modalidade onde o treinamento de força é a principal modalidade, o treino funcional consegue contribuir para o aumento da massa muscular e assim, para a melhora da estética.

Ainda assim, de acordo com Rocha, é importante notar que o treino funcional não é a melhor opção para o desenvolvimento máximo da hipertrofia.

Quais os primeiros passos para o desenvolvimento de um programa de treinamento funcional?

Assim como qualquer treinamento físico, é necessário realizar uma avaliação física e funcional (movimento). Elas têm como finalidade identificar possíveis pontos fracos no corpo, como alguma lesão e doença, e assim, o professor elabora um programa individualizado a fim de corrigir as possíveis limitações.

“É importante realizar uma avaliação pré e pós um período de avaliação”, afirma Rocha. “As avaliações após um determinado período, geralmente após 3 meses, irão servir para você avaliar o efeito do seu treinamento e o progresso do aluno”. É importante verificar se as deficiências encontradas foram minimizadas, se a capacidade funcional melhorou, analisar os efeitos do treinamento na composição corporal e traçar novas metas para serem atingidas.

É necessário a utilização da bola suíça (bola de “pilates”) para a realização do treinamento funcional?

“Se vinculou o treinamento funcional a exercícios realizados em superfícies instáveis, como a bola suíça, mas na verdade ela é apenas mais uma opção para se atender as necessidades do treinamento funcional”, explica o professor.

Assim, a melhora proprioceptiva não precisa ser alcançada necessariamente com o uso da bola suíça e a sobrecarga não é alcançada apenas com superfícies instáveis.

*Fonte: Alexandre Rocha, docente da Faculdade de Educação Física de Santos da Universidade Metropolitana de Santos (FEFIS-Unimes) e coordenador da pós-graduação em Treinamento Personalizado e Funcional da Unimes.”