Esteroides Anabólicos Sintéticos

21 de junho de 2016 ● POR Karina Dias

A testosterona já foi isolada, sintetizada e usada durante décadas, mas ainda gera muitas discussões sobre como realmente ela atua no aumento da massa muscular. Geralmente a ação anabólica de todos os esteroides anabólicos é entendida apenas como a ativação direta do receptor e aumento da síntese proteica. Sendo assim, aumentar a produção ou suplementação de testosterona seria suficiente para aumentarmos a massa muscular. Sem dúvida alguma, esse é o motivador mais simples e básico do crescimento muscular feito por todos os esteroides anabólicos, ou seja, aumenta o hormônio que aumenta a excitação do receptor e, por consequência, aumenta a síntese proteica.

Mas será que seria apenas isso? Não, claro que não!

Existem efeitos indiretos que podem, possivelmente, afetar o crescimento muscular fora do que já se conhece e que afetam a síntese proteica e manutenção da massa muscular. Um mecanismo indireto é aquele que não é promovido pela ativação do receptor, mas o efeito que a testosterona têm sobre outros hormônios, seja pela liberação de substâncias que agem localmente ou fatores de crescimento intracelulares (talvez mediado por outros receptores da membrana celular).

Devemos nos lembrar de que a deposição da massa muscular envolve não somente a síntese proteica, mas também o transporte de nutrientes no tecido e controle da degradação proteica. A testosterona parece não aumentar o transporte de aminoácidos para o interior do músculo (1). Este fato, provavelmente, explica, em partes, a sinergia entre testosterona e insulina usada por fisiculturistas. Eles perceberam que usando a testosterona junto com a insulina, existe um aumento no transporte de nutrientes para as células musculares. Mas em relação à degradação proteica, nós vemos uma segunda via importante na qual a testosterona afeta o crescimento muscular. Considerado um dos mais importantes efeitos indiretos da ação andrógena, estes hormônios mostram afetar outros tipos de esteroides no corpo, os glicocorticoides (o cortisol é o mais conhecido deste grupo) (2).

O crescimento muscular é maior quando os níveis de testosterona estão mais altos que o cortisol. Com treinamento adequado e alimentação ajustada, é possível alcançar ótimos resultados, mas a batalha é constante para aumentar e manter a massa muscular. Estudos in-vitro demonstram que a testosterona tem uma grande afinidade por este receptor dos glicocorticoides (3) e sugerindo que alguns dos efeitos anabólicos são mediados por este efeito (4).

Também se sugere que os andrógenos, indiretamente, interferem a ligação dos glicocorticoides ao DNA (5). Embora o efeito fundamental ainda seja discutível, o que se sabe é que a administração de esteroides inibe a degradação proteica mesmo em jejum, que demonstra ser um indicativo de seus efeitos anticatabólicos. Sendo assim, junte treinamento pesado, dieta de calorias restrita e EAS, e teremos um efeito interessante do ponto de vista estético. Saúde? Bem… se está interessado nesse assunto você não esta buscando SAÚDE.

(Fonte: Dr. Andre Lopes – PhD em Ciências do Movimento Humano – UFRGS e Expert Ativo do Portal da Educação Física. Site:
www.profitbox.com.br)