Como você tem trabalhado o fair play com seus alunos?

16 de maio de 2018 ● POR Redação

Ética deriva do grego e significa em sua grafia original “costumes”. Para Winterstein (2004) o tema ética no esporte, em geral, ou na psicologia do esporte, em específico, parece não ser de muita relevância investigativa, principalmente quando examinamos os poucos trabalhos publicados no Brasil sobre o assunto.

Mas sabemos que no mundo esportivo a ética é colocada à prova constantemente. A mesma encontra – se diretamente associada às condutas e valores que demonstram o respeito ao esporte e aos demais esportistas.

Fair Play foi a expressão cunhada pelo barão de Coubertin para traduzir a ética esportiva, entendida como “modo leal de agir”. A expressão foi incorporada como uma filosofia, relacionando o ideal olímpico com honra, lealdade, respeito pelos outros e por si mesmo. Infelizmente notamos que o “Fair Play” vem sendo constantemente ameaçado nos últimos anos por interesses pessoais e/ou comerciais repletos de trapaças, corrupções, crimes, subornos, doping, entre outros.

As perguntas que não querem calar são:

Qual é a cultura ética que estamos praticando e qual queremos praticar? Como introduzir a conduta ética aos jovens alunos e atletas? Como usar o esporte e as atividades corporais para desenvolver a conduta ética nas novas gerações? Queremos de fato gerações mais éticas?

Para nossa reflexão relembro o dia 2 de dezembro de 2012 quando, durante uma maratona na Espanha, o atleta Ivan Fernandez Anaya surpreendeu o público com sua atitude ética, com seu fair-play. Faltavam uns 6 km para linha de chegada quando o atleta queniano Abel Mutai acelerou a passada e passou a frente de Anaya. Poucos minutos depois, estranhamente, o queniano começou a diminuir o ritmo por aparentemente achar que já havia cruzado a linha de chegada. Anaya logo percebeu o que estava acontecendo e tratou de alertar o concorrente permanecendo às suas costas, gesticulando e quase empurrando-o levando-o até o final da prova, deixando-o vencer a prova. Nitidamente seu único intento foi levar o queniano à vitória. Fez o que seu coração pediu.

Ivan Fernandez Anaya, ao terminar a prova, disse: “Ainda que tivessem me dito que ganharia uma vaga na Seleção espanhola para disputar o Campeonato Europeu, eu não teria me aproveitado das circunstâncias. Acho que foi melhor o que eu fiz do que se tivesse vencido a prova. E isso é muito importante, porque hoje, como estão as coisas em toda sociedade, no esporte e na política, onde parece que vale tudo, um gesto de honestidade vai muito bem. ”

Na atual conjuntura eu pergunto: Como você tem trabalhado o fair play com seus alunos?

Referências

Carta sobre o Espírito Desportivo – La Régie de la Securité dans les Sports du Quebec–1984. Disponível em: <http:/orbita.starmedia.com/~efba/ leis4.htm>. Acesso em: 08/04/2018.
COMITÊ INTERNACIONAL PARA O FAIR-PLAY (2000). O Espírito Desportivo nas práticas desportivas. Disponível em: <http://www.cmoeiras.pt>. Acesso em: 08/04/2018.
GOMES, M. C. Solidariedade e honestidade: os fundamentos do fair play entre adolescentes escolares. In: Tavares, O.; DACOSTA, L. P (editores). Estudos olímpicos: programa de pós-graduação em educação física. Rio de Janeiro, ed. Gama filho: 1999, p. 207- 222.
SÉRGIO, M. O espírito desportivo: uma questão de ética. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, São Paulo, v.11, n.3. p.201-205, 1990.
TUBINO, M. G. Olimpismo ajuda a ética esportiva. Revista Olímpica Brasileira. Rio de Janeiro, ano1, v. 1, n. 1, jul. 1992.
TUBINO, M. G. Dimensões sociais no esporte. São Paulo, Cortez: 1985.
WINTERSTEIN, P.J. Ética no esporte e na psicologia do esporte: reencontrando caminhos. Revista Digital – Buenos Aires – Año 10 – N° 76 – Septiembre de 2004

Prof. Esp. Roberto Trindade – Formado em Turismo, Psicologia e Educação Física. Pós-Graduado em Psicologia do Esporte e Esportes de Aventura. Email: trindade_scuba@hotmail.com