Educação Física escolar para deficientes: estamos prontos?

10 de abril de 2017 ● POR Pedro Cunácia

Por Pedro Lopes

A prática esportiva, além de desenvolver as habilidades físicas, transcende o esporte e representa uma fonte inesgotável de conceitos éticos e morais, colaborando com o processo educativo como um todo.
Responsável por introduzir o esporte na vida de um número expressivo de brasileiros, a Educação Física nas escolas envolve carências gigantescas para os alunos regulares, mas consegue ser ainda pior para os deficientes.
Embora frequentar uma escola seja um princípio básico garantido por lei, crianças e adolescentes deficientes enfrentam uma série de barreiras na questão da acessibilidade, que se estende ao âmbito esportivo.
Um levantamento feito pelo site G1 aponta que somente 23 municípios do Brasil contam com todas as suas escolas acessíveis. Entre as escolas municipais, a situação é ainda pior: só 17% das unidades têm estruturas mínimas para deficientes.
Fatores como a falta de capacitação dos professores de Educação Física, as limitações de infraestrutura das escolas ou até mesmo o desconhecimento fazem com que a maioria dos portadores de deficiências sejam excluídos das atividades físicas.
Segundo Sileno Santos, coordenador dos programas esportivos adaptados da Associação Desportiva para Deficientes (ADD), colocar estudantes deficientes e regulares em quadra para praticar a mesma modalidade não garante a inclusão. A conscientização e a capacitação dos professores para que as adaptações ideais sejam feitas para cadeirantes, amputados ou crianças com paralisia devem ser encaradas pelos governantes como peças-chave para que a inclusão realmente aconteça.
“O professor precisa estar capacitado, o que, muitas vezes, não acontece e faz com que esses profissionais não tenham como verificar quais são as adaptações possíveis para esses alunos. Isso faz com que seja comum ver um cadeirante isolado nas aulas de Educação Física. Muitas vezes, o professor quer incluir e não sabe como. A escola e o próprio Estado não fornecem essa capacitação. O profissional tem que ter o conhecimento do impacto que a deficiência tem”, diz.
Santos afirma que a educação inclusiva é uma realidade distante no Brasil, já que a inclusão, da forma como é vista atualmente, é “bonita no papel”. O caminho indicado por ele é a junção de grupos de alunos deficientes em faixas etárias semelhantes para modalidades como o basquete para cadeirantes ou o vôlei sentado.
“Muitos imaginam que a inclusão com alunos regulares é a melhor saída para o estudante com deficiência, mas isso, em alguns casos, só gera exclusão. Uma situação ideal seria reunir o maior número de alunos deficientes na mesma faixa etária e fazer com que as ações sejam direcionadas a esse público”, conclui.