O Esporte precisa voltar para as escolas

19 de março de 2014 ● POR Redação

O esportista Walter da Silva, assessor de Esporte e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo e membro do Conselho Diretivo do Panathlon Club de nossa cidade, está lançando uma campanha para incrementar a prática da Educação Física e dos Esportes nas escolas.

Segundo ele, há uma corrente nos órgãos governamentais (e mesmo privados) preconizando uma tendência de reduzir ou mesmo suprimir as sessões de Educação Física do currículo escolar nos dois níveis de ensino que antecedem a chegada até a universidade.

Para piorar a situação, existe atualmente uma verdadeira onda de “pedagogismo” que repele o esporte estudantil, que vilipendia qualquer atividade fora dos muros da escola, atitude que está acabando com disputas inter-escolares.

Para tratar desta questão e o empenho de Walter da Silva, vai ser realizado, de 7 a 10 de abril, no Plenário e em um dos salões nobres da Assembléia, um seminário em defesa do esporte e da educação física nas escolas.

Eu estou plenamente de acordo com esta campanha (trabalhei nesta área entre 1948 e 1962) e tenho as vivências suficientes para aprovar aquela iniciativa da retomada do valor do esporte.

Naqueles anos, o Major Sylvio de Magalhães Padilha, diretor do então Departamento de Educação Física do Estado de São Paulo, em plena sintonia com a Secretaria da Educação, realizava campeonatos de várias modalidades de âmbito estadual, com um sucesso em todos os sentidos. Este certame promovia um saudável intercâmbio entre os estudantes do Interior e os da Capital.

O auge desta ação ocorria no dia 7 de Setembro, com as disputas finais dos colegiais e uma magnífica demonstração de ginástica, com a participação de 1.500 jovens de São Paulo inteiro e a presença do Governador do Estado no palanque.

Já escrevi dois comentários neste Blog sobre meu trabalho em Educação Física, os quais ressaltam a importância desta matéria do currículo escolar. Os alunos, além das sessões de ginástica, competiam em campeonatos internos de basquete e vôlei. A participação era de todos e desenvolvia o gosto pelo esporte.

O grupo de basquete do meu colégio, o Prof. Macedo Soares, na Barra Funda, no final dos anos 50, saiu-se campeão da nossa cidade. A S.E. Palmeiras aproveitou os meninos do time que sagraram-se campeões paulistas. Parte desses jogadores veio a integrar a seleção paulista que, por sua vez, venceu o torneio nacional.

Mas não foram somente os campeões que se uniram. Até hoje, mais de meio século depois, um grupo de aproximadamente 50 ex-alunos ainda se reúne anualmente para um churrasco no meu sítio.

Um jovem que praticou esporte na infância e na adolescência continua sempre ligado à essa atividade. Ocupa seu tempo de lazer em jogos, em corridas, mantendo suas amizades que professam os mesmos valores.

Este lazer, se não for ocupado pelos esportes, desvia o adolescente para outros hábitos, como as baladas, os bailes funk, onde a moral não encontra espaço e é até desprezada. O tempo livre mal preenchido é a base do uso de tóxicos que vão desde a maconha até o crack.

O verdadeiro craque, o jovem exímio na prática de uma modalidade esportiva e até os participantes do alto rendimento em regra são aqueles que foram beneficiados pela valorização do esporte na escola. Kanichi Sato, filósofo e técnico de natação, dizia que, na pirâmide do esporte, a altura do vértice técnico é consequência de uma base quantitativa.

Estamos com os Jogos Olímpicos à vista e uma boa atuação do Brasil poderia ser muito melhor se a educação física não tivesse sido abandonada nas escolas.

É por isto que o movimento que terá sua sede na Assembléia Legislativa em favor da Educação Física e dos Esportes nas Escolas é um marco que necessita crescer para mudar a situação preocupante de boa parte da nossa juventude. Meus parabéns aos seus organizadores.

Matéria publicada pelo site Gazetaesportiva.net