Por que você deve introduzir Primeiros Socorros na sua aula

22 de agosto de 2018 ● POR Roberto Trindade

O ensino da Saúde tem sido um grande estímulo para a Educação Física no que se refere à possibilidade de garantir uma aprendizagem realista e renovadora de condutas e hábitos de vida.

Nesse contexto está o desenvolvimento dos temas transversais. Os quais devem ser entendidos como sendo todos aqueles voltados para a compreensão e para a construção da realidade social, dos direitos e das responsabilidades relacionadas com a vida pessoal e coletiva e com a afirmação do princípio da participação política. Devem exteriorizar constructos e princípios básicos à democracia e à cidadania e devem obedecer a questões importantes e urgentes à sociedade contemporânea.

Quando falamos de Primeiros Socorros como um tema transversal, valorizamos o significado social e a articulação transversal de conhecimentos, atitudes, aptidões e práticas que possam ser vivenciadas e compartilhadas com o grupo e a sociedade, relacionadas às questões da realidade.

Entendendo o Por quê

Um acidente é um episódio não intencional que pode causar lesões. Os acidentes representam um problema de saúde pública sem solução, devido à alta incidência, relevância e repercussão.

De forma específica, acidentes são a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil. Todos os anos, cerca de 3,7 mil crianças dessa faixa etária morrem e outras 113 mil são hospitalizadas devido a acidentes no país. Tais hospitalizações geram sequelas não intencionais, quando não matam, em funções motoras, sensitivas, cognitivas e comportamentais.

Atualmente os acidentes representam a doença mais negligenciada do mundo moderno e os investimentos feitos objetivando controle, prevenção e tratamento são irrelevante. Sem dúvida, constituem-se, hoje, num dos mais significativos problemas de toda área da saúde. Os acidentes são uma preocupação constante dentro da escola, sendo imprescindível que educadores, colaboradores e alunos saibam como agir frente a esses eventos, ministrando os primeiros socorros de forma eficaz e evitando, desta forma, iatrogênias consequentes por procedimentos inadequados.

Reforçamos que os acidentes não ocorrem por acaso nem são produtos da fatalidade. Existe sempre um fator de risco sobre o qual é possível atuar, modificando assim a ocorrência de eventos traumáticos. Inúmeras estratégias neste sentido podem e têm sido propostas. Entre elas, como evitar, reduzir o número e/ou modificar a forma de atuação dos agentes ou fatores de risco.

Para a ONG Criança Segura, 90% dos acidentes poderiam ser evitados com algumas precauções simples e de baixo custo. A prevenção é o mais importante parâmetro no controle do trauma por ser a única forma de evitar as mortes que ocorrem no local do acidente e também por ser o meio mais eficiente e barato de reduzir os custos (mortes, sofrimento, despesas, perdas de produtividade, etc.).

O que diz a Legislação atual

O artigo 5º da Constituição Federal diz: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, […]. ”

No artigo 196, do mesmo instrumento normativo, está determinado:

“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Conhecer Primeiros Socorros trarão subsídios para proporcionar as vítimas um suporte de vida seguro, pois a prestação de socorro, além de um dever moral, é um dever legal e sua recusa constitui crime de omissão de socorro, previsto no artigo 135 do código penal brasileiro.

Um projeto de lei (PL 9468/18) que obriga a capacitação de professores e demais funcionários de escolas de ensino em noções básicas de primeiros socorros, da autoria dos deputados Ricardo Izar (PP-SP) e Pollyana Gama (PPS-SP) está em tramitação. Conforme o projeto, o curso de capacitação será oferecido anualmente para todo o corpo funcional e docente da escola, e será ministrado por entidades especializadas em práticas de auxílio imediato e emergencial à população.

O curso deve permitir que professores e funcionários possam identificar e agir, preventivamente, em situações de emergência e urgência médica e intervir no socorro imediato dos acidentados até a chegada do suporte médico. O conteúdo do curso de primeiros socorros deve ser condizente com a natureza e faixa etária do público atendido pelas escolas. O projeto determina ainda que as escolas deverão disponibilizar kits de primeiros socorros, conforme orientação das entidades especializadas em atendimento emergencial à população.

O descumprimento das exigências previstas no projeto sujeita à escola a penalidades como advertência, multa de R$ 5 mil (aplicada em dobro em caso de advertência reincidente), cassação de alvará de funcionamento (quando tratar-se de creche ou estabelecimento particular), ou responsabilização funcional e patrimonial (nos casos de creche ou estabelecimento público).

Nesse cenário, o professor possui papel importante no desenvolvimento da saúde e na prevenção de acidentes entre crianças e adolescentes no âmbito escolar. A falta de conhecimento por parte dos profissionais pode trazer inúmeros problemas, como manipulação incorreta da vítima ou falta de preparo psicológico para atender com eficiência o acidentado.

A responsabilidade do professor ao atender um acidentado na escola é de grande importância, pois este atendimento pode fazer emergir vários agravantes, gerando vários transtornos para a instituição. A pergunta que não deve calar é: Você e a sua escola estão prontas para lidar com acidentes?

Autor
Prof. Esp. Roberto Trindade– Formado em Turismo, Psicologia e Educação Física. Pós-Graduado em Psicologia do Esporte e Esportes de Aventura. Email: trindade_scuba@hotmail.com