Capoeira na Educação Infantil

30 de maio de 2016 ● POR Karina Dias

Muitos profissionais de artes marciais compreendiam que a prática das lutas só poderia ser iniciada após os seis anos de idade. Talvez pelo processo de maturação infantil, que segundo Piaget (1980), se a criança não está madura para executar uma determinada atividade, não poderá aprendê-la, pois não disporá de condições para a sua realização, os educadores portanto, deixam as crianças com atividades convencionais, decidi criar um método que aproxima a ludicidade como fator de desenvolver o esquema corporal. O desenvolvimento humano é concebido como o produto de uma dupla incidência; de um lado, incidem os processos maturativos de ordem neurológica e genética, e de outro lado, os processos de constituição do sujeito psíquico.

A capoeira pode ser uma atividade que muitas vezes marginalizada, sofre com o desconhecimento dos profissionais de atividade física e desenvolve aplicativos que contribuem para a formação corporal e do caráter de crianças, inclusive na Educação Infantil. Segundo o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil BRASIL, (1998), é obrigação das instituições de ensino de educação infantil do Brasil, inserirem práticas que envolvem o movimento e música. A capoeira é uma atividade que abrange em harmonia estas duas áreas, e assim possibilita a construção deste processo de maturação infantil. Uma atividade que não tem sexo, não tem cor, auxilia desde a infância a compressão de nossa origem, de nossa história e a igualdade social.

As estratégias utilizadas pelo nosso “Projeto Capoeira Escola-Capoeira Para Todos”, na região metropolitana da Baixada Santista –S.P., desde 1995, são voltadas para o lúdico, com objetividade, o lúdico é a ferramenta que vai facilitar o processo de absorção dos benefícios que a capoeira pode proporcionar para as crianças, muitas escolas de nossa região vem adotando a capoeira como integrante da grade curricular, e atividades que vão desde uma música, em forma de desenho, como cantigas de roda, adaptadas para a capoeira são exemplos de atividades que estimulam esta prática.

Outro fator que pode contribuir com a implementação de mais aulas de capoeira nas escolas é a dificuldade atual de aumento de vivência motora das crianças, que eram contempladas pela “rua” como um laboratório de práticas corporais e sociais, e hoje com o aumento da violência, dificuldades com a mobilidade urbana, aumento de automóveis nas vias públicas não possibilitam estas experiências que as brincadeiras de rua ofereciam, e optam para os videogames e internet como entretenimento infantil. A capoeira nas escolas de educação infantil, transcendem a expectativa apenas de uma maior aplicação motora, mas sim uma abordagem psicossocial de resgate a valores humanos tão esquecidos hoje em dia!

Iê viva a Capoeira, camará!

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Fonte: Márcio Rodrigues dos Santos – Mestre Márcio – Coordenador do Projeto Capoeira Escola, da baixada Santista e docente na UniSanta e Unimes.