Bike Polo: conheça o esporte que vem ganhando força no País

21 de novembro de 2012 ● POR Redação

Aos poucos, o bike polo sai do anonimato e começa a ganhar uma legião de fãs. Conheça esse esporte para lá de radical que já tornou o Brasil vice-campeão sul-americano.

Os príncipes ingleses William e Harry e, por aqui, Rico Mansur, talvez sejam os mais conhecidos garotos-propaganda do polo, o sofisticadíssimo esporte com ares de nobreza. Não à toa. Geralmente disputado em hípicas tradicionais, costuma reunir a nata da sociedade para assistir a uma partida cujos atletas vestem sofisticadíssimos uniformes, galgando cavalos de raça.

Febre na Europa, uma variação mais descontraída e improvisada desse esporte desembarcou há menos de três anos no Brasil e vem ganhando cada vez mais adeptos, especialmente em São Paulo. Trata-se do bike polo. Os cavalos foram deixados de lado para dar espaço às bikes. Também saíram os gramados perfeitos para a entrada das quadras de cimento, aquelas onde também se costuma jogar uma peladinha ou uma partida de basquete nos fins de semana. No Parque Ibirapuera, em São Paulo, um grupo de jogadores conseguiu quórum suficiente para encontros semanais e pequenos campeonatos mensais. “Usamos as redes sociais como o Facebook para agendar jogos esporádicos em outros endereços e queremos trazer o campeonato sul-americano de 2013 para a cidade”, revela Gabriel Rodrigues, o Gargamel, de 31 anos. Os encontros de turmas como essa ficaram sérios e levaram o Brasil a disputar – e a quase ganhar, pois ficamos com o segundo lugar – o campeonato sul-americano da categoria, realizado no fim do ano passado no Chile.

Equipamentos são improvisados

O jogo é uma variação “livre” do polo equestre. No lugar dos cavalos e dos campos com grama, os jogadores “montam” bicicletas e disputam as partidas em quadras duras de cimento. Como o esporte ainda é considerado novidade por aqui, ainda não surgiram lojas especializadas na modalidade. Ou seja, vale a inventividade na hora de fazer os equipamentos. A bola, por exemplo, pequena e pesada, vem do hóquei. Os tacos são criados com o material que há disponível, geralmente um cano de alumínio ou um cabo de esqui parafusado a um cilindro de material resistente. Por isso, não chegam a custar mais de cento e poucos reais.

Segundo Pablo Gallardo, sócio da Tag and Juice e um dos primeiros a ficar fã do esporte no país, qualquer bicicleta se presta ao jogo. Mas as fixas, ou fixed-gear, estão entre as preferidas dos jogadores, até porque elas também podem ser “montadas” em casa, o que faz o custo cair bastante. Bicicletas fixas, mais leves, sem catraca e marchas, não têm um grande mercado no Brasil, por isso costumam ser caras. Elas são bem mais “ariscas” e, no início, muitos certamente encontrarão certa dificuldade em manejá-la. “Se a pessoa não está acostumada, terá de aprender a usar esse tipo de bike enquanto aprende também o bike polo. É mais difícil”, pondera Gargamel. É interessante usar calota na roda dianteira para evitar que a bola trave os raios e cause uma queda.

As regras do jogo

Dois times de três jogadores se enfrentam em partidas de 10 minutos ou até que um deles faça o quinto gol. Não é permitido pôr os pés no chão.

“Flexibilizamos essa regra para quem está começando”, conta Gallardo. Empurrar ou fechar o oponente que está com a bola também está fora de questão. O recomendado é avançar pela lateral do adversário. Quando alguém faz falta, para-se a partida, que é retomada por uma das laterais da quadra. Também se deve estar atento ao taco. Ele não pode ser levantado demais para evitar acidentes. “É importante ter bom senso. Estamos lá para brincar”, recomenda Wagner.

Esteja preparado para cair. Ainda que ganhe experiência e traquejo, isso vai continuar acontecendo. “No começo, a gente cai por falta de habilidade. Depois, cai porque começa a jogar com mais velocidade”, comenta Wagner de Carvalho, de 40 anos. O capacete é obrigatório, outros acessórios são opcionais – muitos jogadores não dispensam joelheiras, cotoveleiras e luvas.
Se você acha que consegue brincar, faça uma tentativa antes de arriscar a botar a mão no bolso e sair gastando como um louco. “Temos tacos extras para quem quiser tentar. É só ter bike e capacete”, afirma Gargamel. Os jogos no Ibirapuera acontecem terças e quintas, a partir das 21h, e são cancelados quando chove.

Esporte tem mais de 100 anos

A origem do bike polo ainda é imprecisa, mas acredita-se que o esporte tenha surgido na Irlanda, em 1891. O criador teria sido o ciclista irlandês Richard J. Mecredy, conhecido como Arjay. Anos depois, em 1908, o bike polo foi incluído na Olimpíada de Londres como modalidade de demonstração – acontecem jogos, mas não há premiações. A exibição ajudou o esporte a se propagar pelo mundo, inclusive na Índia, onde hoje ele é razoavelmente popular.

A modalidade voltou a ganhar adeptos nos EUA e na Europa há poucos anos. “Nas décadas de 1980 e 1990, em Nova York, os bike messengers começaram a jogar em quadra dura (de cimento)”, afirma Gargamel. Isso deu novo fôlego ao esporte. As partidas, antes realizadas em campos com grama, se tornaram mais urbanas. Alguns até chamam hoje o esporte de polo urbano.

Matéria publicada na Revista Sport Life