Técnica Wharton: o que é e para que serve?

13 de setembro de 2016 ● POR Karina Dias

Na década de 80, o jovem atleta americano Phil Wharton sofria de escoliose. Na busca por sua recuperação, seu pai, Jim Wharton, fisiologista do exercício, descobriu que uma técnica específica de alongar e exercitar os músculos estava exercendo um efeito positivo no desempenho de seu filho. Jim ficou tão impressionado que desenvolveu uma técnica que ele chamou de “alongamento ativo isolado” ou AISS (Active Isolated Stretching System, em inglês), indicada para atletas de alto rendimento.

A técnica está baseada em quatro princípios:

1. Você consegue alongamentos mais eficazes e seguros quando você isola e estica um músculo por vez.

2. Todos os músculos trabalham em pares de modo que em cada movimento existe um agonista, aquele que é o principal responsável pelo movimento, e um antagonista, que faz uma reação contrária. A maneira mais eficaz de fazer um alongamento é contrair ativamente o agonista, o músculo oposto aquele que você deseja alongar. Por exemplo, se quiser esticar os isquiotibiais (os grandes músculos da parte posterior da coxa), você deve contrair os quadríceps (o grupo muscular da parte da frente da coxa).

3. Se o atleta alongar um músculo muito rápido ou em excesso, este vai retrair para evitar de se romper. Esta reação, chamada de reflexo de estiramento, é ativada quando o alongamento dura três segundos. Portanto, cada movimento de alongamento não deve demorar mais do que dois segundos. Relaxe o músculo antes desse reflexo ser acionado e, em seguida, volte a executar o alongamento, trabalhando cada um de 8 a 10 vezes.

4. A respiração é um componente muito importante. Exale durante a fase ativa (alongamento) e inale ao relaxar.

Como pode se ver, são simples rotinas de exercícios que isolam completamente um músculo para alongá-lo de maneira independente ao grupo muscular que ele pertence. Dessa forma, consegue-se um alongamento profundo e mais delicado com todos os músculos do corpo.

Lesões nunca mais
De acordo com Jim Wharton, que já trabalhou com o jogador de basquete Michael Jordan e o maratonista queniano Paul Target, todas as lesões no esporte são possíveis de serem evitadas. Para ele, uma lesão é um erro no programa de treinamento.

O especialista defende que “se o atleta aprende a de alongar e fortalecer os músculos sem debilitar seus antagonistas, ele não se lesiona nunca mais”. Lamentavelmente, ele diz que no esporte profissional são violadas as leis elementares e por isso os atletas sofrem frequentemente com lesões que depois se tornam crônicas.

Matéria publicada no site do Ativo.com