Seis perguntas que todo professor de natação deve saber responder

01 de fevereiro de 2017 ● POR Redação

Alguns questionamentos comuns, independentemente das características, todo professor de natação deve saber responder.
Nestes anos todos em que trabalho com natação (já são 29, nossa!) já ouvi praticamente todo tipo de pergunta: das mais “bestas” às mais inteligentes, das mais inoportunas às mais pertinentes. Digo “praticamente” porque, sabe como é, os pais sempre são capazes de nos surpreender!

Mas o que de bom esta longa jornada tem é que, além de poder hoje olhar para trás e ver quantas pessoas pude ajudar a gostar da água e ser mais feliz, é o fato de que posso também separar alguns questionamentos mais comuns que, independentemente de suas características, todo professor de natação deve saber responder.
Para isso, tomemos como critérios básicos a sinceridade e a verdade científica. Vamos a seis perguntas clássicas:

1. É verdade que crianças aprendem mais rápido a nadar do que adultos?

Sim. As crianças normalmente ainda não foram sujeitas às décadas de experiências negativas e informações incorretas que normalmente subjugam o adulto, tornando-o mais tenso durante as primeiras semanas de sessões e mais resistente a muitas orientações que lhe são passadas. Livre destas tensões iniciais, o aprendizado das crianças flui em geral mais facilmente, o que torna o processo como um todo mais rápido.

2. Ainda posso aprender a nadar?

Absolutamente SIM. A resposta da pergunta anterior não deve, entretanto, desanimar ninguém. NINGUÉM. Já tive ou acompanhei alunos adultos de todas as idades, com as mais diferentes e severas limitações físicas e com os mais difíceis traumas psicológicos de água; e digo que a esmagadora maioria deles aprendeu pelo menos dois nados: crawl e costas.

É claro que para isso funcionar, condições favoráveis precisam estar presentes em ambas as partes (professor e aluno): determinação, obstinação, paciência, dedicação ao processo, consistência de estímulos, competência acadêmica e didática do professor, etc. Afirmo com tranquila certeza: não há quem, em condições favoráveis, não aprenda a nadar.

3. Quanto tempo se leva para aprender a nadar?

Acredito que a melhor resposta a esta questão muito comum é dar a ordem de grandeza: ALGUNS MESES para o domínio razoável de dois nados, crawl e costas. O número de meses vai variar de acordo com as condições estabelecidas para o processo. Se elas forem, em sua maioria, favoráveis: aluno assíduo, não apresentando nenhum trauma relativo à água, contrato para aulas três ou quatro vezes por semana, turma for reduzida a poucos alunos, professor dedicado e disposto a entrar na água sempre que precisar, certamente serão poucos meses (três ou quatro em média).

Entretanto, se as condições estabelecidas forem majoritariamente desfavoráveis: aluno faltoso e medroso, com contrato de aula para apenas duas vezes por semana, em horário lotado de alunos e professor displicente, aí o processo poderá se arrastar por 8, 10, 12 meses ou ainda mais.

4. É verdade que a Natação é o esporte mais completo que existe?

Absolutamente NÃO. Por conta deste preconceito, esbarro todos os dias com crianças que adorariam estar fazendo outro esporte mas são obrigados a nadar pelos pais.

Devido às suas características particulares, a Natação propicia aos seus praticantes duas características especiais: domínio do meio líquido (óbvio) e disciplina respiratória. Quando os pais colocam seus filhos para nadar, a maioria pensa (e com razão) no quesito segurança.

Dominado o primeiro e o segundo nados (normalmente o crawl e o costas), este quesito está atendido. Também crianças com asma ou começo de bronquite são direcionadas especialmente para a natação porque, de fato, a disciplina respiratória é muito desenvolvida nesta modalidade, já que estamos em um meio estranho ao nosso. Mas excetuadas estas duas condições, a Natação é uma modalidade tão boa como qualquer outra.

Portanto, os pais não devem dar preferência a ela, em detrimento de outros esportes, por conta de características que ela não tem. Devem sim, ouvir seus filhos e proporcionar-lhes atividade em modalidades que eles gostem. Criança tem que gostar da atividade física que pratica.

5. É verdade que natação é bom para asma e outros problemas respiratórios?

Parcialmente SIM. A experiência e mesmo a literatura mostram que a disciplina respiratória que a natação impõe a que a pratica ajuda muito a estabilizar, reduzir e, em alguns casos, a desaparecer com problemas como asma e bronquite. Entretanto é bom frisar que, via de regra, a natação deve ser iniciada como coadjuvante de um tratamento conduzido por pneumologista, e não substituir o tratamento sem a orientação adequada.

Já vi casos de sucesso total (inclusive com abandono da “bombinha”) e já vi casos em que a natação foi absolutamente insuficiente para diminuir a freqüência e as intensidades das crises respiratórias.

6. Colocando meu filho para nadar desde bebê, ele tem mais chances de ser um campeão?

Absolutamente NÃO. A natação para bebês é uma atividade de estimulação precoce que tem a ver com aperfeiçoar o pleno desenvolvimento cognitivo (do intelecto), afetivo (das emoções) e motor (dos movimentos e posturas) do indivíduo. Portanto, nada a ver com uma eventual formação de um campeão.

Isso, se acontecer, será decisão e trabalho para bem mais tarde. Já li e ouvi citações de casos de campeões que começaram a nadar bem tardiamente (8 ou 9 anos) e de inúmeras crianças que nadaram quando bebês e que hoje simplesmente gostam  e desfrutam de lazer na água (o que já é muito bom).

Concorde ou discorde destas respostas, se você trabalha com natação, desenvolva as suas próprias, pois inevitavelmente precisará usá-las.