Como incluir cadeirantes na academia?

01 de agosto de 2016 ● POR Karina Dias

Nesse texto iremos abordar um assunto muito interessante mas ainda pouco explorado: o trabalho de inclusão com os alunos cadeirantes realizado por academias, clubes, estúdios de treinamentos, entre outras áreas, onde atuam profissionais da educação física. Tanto os exercícios, quanto os aparelhos, poderão ser os mesmos de um treinamento normal. De acordo com a necessidade, alguns tendo pequenas ou grandes adaptações para o aluno cadeirante, ou seja, tudo vai depender do grau da lesão medular desse aluno. O mais importante para que tudo aconteça da melhor maneira é o local das atividades ter espaço o suficiente para a locomoção da cadeira e que não prejudique o fluxo natural do ambiente. Evitar desconfortos na sala de exercícios é primordial.

Os aparelhos mais recomendados são os de polias, pois nesses o professor vai conseguir ajustar a polia de acordo com a altura do aluno. Pesos livres como halteres, anilhas, barras e outros, elásticos para realizar trabalhos funcionais e hand bike ergométrica entram como atividade cíclica. O profissional de educação física tem três ótimos caminhos para poder periodizar o treino de um aluno cadeirante dentro da sala de treinamento que são: musculação, treino funcional e atividades cíclicas.

Os principais benefícios e objetivos que Professor deve ter consciência na hora de programar os treinos são de enfatizar os fatores limitantes do movimento e o fortalecimento dos músculos estabilizadores do tronco, esses são os focos principais no inicio do treino do cadeirante. O treino de força nos braços é primordial para ser aplicado nos alunos também, pois ele vai ajudar a manter ou melhorar a capacidade funcional nas tarefas diárias fora da academia. Antes dessa periodização nos treinos, devemos fazer uma avaliação física diferenciada na qual iremos identificar os fatores limitantes de movimentos, primeiramente fatores individuais como mobilidade, força, equilíbrio e resistência, e em seguida o fator das tarefas diárias onde verificamos se existem dificuldades do aluno em conduzir a cadeira de rodas, de desviar dos obstáculos e de fazer a transferência, por exemplo, da cama para a cadeira. Algo importante também nessa avaliação é perguntar ao aluno qual tarefa ele gostaria de executar com mais facilidade no dia a dia, como amarrar os sapatos, pegar objetos do chão, a melhora da execução de um gesto esportivo de alguma modalidade que ele faça fora da academia, entre outras.

Complicações que a lesão medular traz aos cadeirantes e que os professores devem ficar atentos: infecções respiratórias se devem por conta da redução ventilatória dos pulmões e isso ocorre por causa da falta da funcionalidade da musculatura respiratória e abdominal, fazendo com que a inspiração saia incompleta. As atividades cíclicas melhoram essa capacidade respiratória, a regulação térmica é uma complicação também nos cadeirantes, pois tem uma maior facilidade de entrar no estado de hipotermia ou hipertermia, para prevenir essa irregularidade térmica devemos evitar ambientes muito quentes e muito frios. O retorno venoso de sangue ao coração é uma complicação grave, ele ocorre devido à ausência da contração muscular voluntaria abaixo do nível da lesão medular. Devemos recomendar que no momento de repouso ele deixa as suas pernas em posição elevada. A espasticidade é decorrente da perda parcial ou completa do controle do cérebro sobre a medula, nessa situação o tônus muscular fica elevado então em movimentos repentinos, mudanças de posições e estímulos externos, que podem provocar espasmos musculares de grandes ou pequenas proporções. Quedas bruscas da pressão arterial no começo acontecem com uma maior frequência devido aos movimentos rápidos, como da posição sentada para em pé, ou deitado para sentado.

Recomendações finais para os Profissionais de Educação Física: temos que orientar nossos alunos a esvaziarem a bexiga antes de praticarem as atividades físicas, pois dependendo da lesão medular eles podem perder o controle voluntário. Podemos orientar também que o aluno ingira mais fontes de vitaminas A e B6, manter uma alimentação saudável (indicar que procure um profissional da área), ingerir de 2 a 3 litros de água diariamente.

Essas recomendações auxiliam a manter a saúde da pele, prevenindo com que o cadeirante desenvolva escaras. Utilizar roupas leves, quando o aluno estiver na cadeira a cada 15 minutos procurar fazer elevações, ficar alterando sua posição na cadeira regularmente. Se for oferecer ajuda, pergunte antes se ele quer e evite ficar insistindo, caso o cadeirante for querer um auxílio deixe que ele diga como vai proceder essa ajuda. Após a liberação da fisioterapia cabe a nós Professores dar continuação nesse trabalho, fazer com que haja progressão a cada dia de treino para haver uma manutenção ou melhorar a qualidade de vida e autonomia de movimentos dos cadeirantes, integrando-o à sociedade.

(Fonte: Thiago Adorno é profissional de educação física e Expert do Portal).