Waldyr Soares da Fitness Brasil fala sobre o mercado no pais, em revista dos EUA

02 de setembro de 2009 ● POR Redação

CBI: Em primeiro lugar, fale-nos sobre sua empresa.

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CBI: Em primeiro lugar, fale-nos sobre sua empresa.

WS: Minha empresa, Fitness Brasil, oferece serviços de educação continuada para profissionais nas áreas de educação física, nutrição e fisioterapia. Nós organizamos trade shows onde expõem as empresas top na indústria de fitness. E geramos informações científicas e de marketing através do Instituto Fitness Brasil. Nós também publicamos revistas de qualidade para os consumidores e profissionais. Nossa revista de negócios, Fitness Business Latin America, tem agora uma tiragem de 10 mil exemplares. No ano passado, as receitas da Fitness Brasil atingiram US$ 2,3 milhões.

CBI: Você poderia nos dar uma breve visão geral da indústria de fitness no Brasil?

WS: Bem, não há dados oficiais anteriores a 2007, que é quando o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) começou a coletar os dados. Naquele ano, o Brasil tinha um total de 7.350 academias, 3.7 milhões de clientes, e receitas anuais de US$ 801 milhões. Em 2008, os números cresceram para 12.682 academias, 3.9 milhões de clientes, e US$ 1,2 bilhão em receitas. Esperamos encerrar este ano com 14.016 unidades, 4.7 milhões de clientes e US$ 1,1 bilhão em receitas, essa ligeira queda devida primariamente à variação nas cotações do dólar.

CBI: Quem são os principais operadores no Brasil? Como é o mercado em outros países da América do Sul?

WS: O Brasil tem quatro redes principais – Runner, Bioritmo, A!BodyTech e Cia. Athletica – cada uma com algo entre 20 e 25 unidades. A maioria das academias estão concentradas em
São Paulo e Rio de Janeiro, mas essas companhias tem unidades também em outros estados. Essas redes tem mensalidades em torno de US$120-150. O resto do mercado é formado por pequenas e médias academias, com mensalidades bem menores. Em média, os brasileiros pagam cerca de US$ 25 mensais. A única presença internacional consiste nas franquias da Contours e da Curves. Na América do Sul, o segundo maior mercado é a Argentina, com 4.950 academias, seguida pelo Chile, com 460.

CBI: Como a indústria de fitness evoluiu no Brasil? Quais foram as maiores influências?

WS: O mercado era formado, em sua maioria, de ginásios de bodybuilding e escolas de natação até os anos 80, quando Jane Fonda lançou seus vídeos de aeróbica de alto impacto. Essa foi realmente a chave da aceleração do desenvolvimento da indústria. Eu fundei a Fitness Brasil em 1982, e fizemos nosso primeiro evento na Universidade de São Paulo em 1987; por 10 anos nós também produzimos o Campeonato Aeróbica Brasil. Quando a TV Globo, maior estação de TV da América Latina, transmitiu o campeonato, o público descobriu que o exercício podia ser agradável e divertido. A Aeróbica também ajudou a inspirar o desenvolvimento de duas grandes redes, a Runner e a Cia. Athletica.

CBI: A IHRSA obviamente também teve um papel importante. Como você se envolveu nisso?

WS: Em 2000, nós nos associamos e fizemos a 1ª IHRSA/Fitness Brasil Latin American Conference and Trade Show, que atraiu expositores internacionais, incluindo Cybex, Nautilus, Technogym e Life Fitness. Aquele evento representou um início em vários aspectos. Então, em 2002, a IHRSA e a Fitness Brasil novamente juntaram forças para lançar a revista Fitness Business Latin America – uma publicação irmã da CBI – para manter a indústria informada sobre as novidades, tendências e produtos inovadores.

CBI: A parceria IHRSA/Fitness Brasil teve um impacto na indústria de fitness brasileira?

WS: Sem dúvida, e eu acredito, um impacto incrivelmente positivo. Após o 1º evento, a indústria realmente começou a evoluir e tornar-se mais profissional, como resultado dos cursos e treinamentos que foram introduzidos. O mercado também começou a abraçar a inovação e tecnologia nos equipamentos – assim como a abordagem já existente na America e Europa. Nosso indústria local de equipamentos também cresceu. É interessante que, agora, muitas das tendências do nosso mercado se originam em São Paulo, principalmente devido à conferência e ao trade show acontecerem aqui há 10 anos.

CBI: É verdade! Este ano marca o aniversário de uma década desse relacionamento. O que está reservado para a 10ª Conferência e Trade Show, que acontecerão no próximo mês, de 22 a 24 de Outubro?

WS: O evento acontecerá no Transamerica Expo Center em São Paulo, e o keynote speaker será Ricardo Amorim, um economista de reputação internacional e co-apresentador do programa Manhattan Connection na TV. Em termos de conteúdo, vamos oferecer dois módulos – um de gerenciamento e outro para os instrutores. Apresentaremos os resultados de uma pesquisa sobre tendências em wellness e fitness na América Latina; discutiremos o futuro da indústria, e como nós podemos melhor servir nossos clientes; e vamos explorar o papel de inovação e estratégia para responder às mudanças no mercado. A conferência terá outros palestrantes locais e internacionais e muitas oportunidades de relacionamento. Neste momento, o trade show, que envolve mais de 130 expositores em uma área de 14.000 metros quadrados, está praticamente lotado. No total, esperamos mais de 15.000 visitantes.

CBI: Como a IHRSA e a Fitness Brasil continuarão a capitalizar o sucesso dessa colaboração? O que vem por aí?

WS: Essa é uma ótima pergunta! Na verdade, nós acabamos de realizar a 1ª edição do que, para nós, será sem dúvida o nosso segundo maior evento. Wellness Rio 2009, realizado no Rio de Janeiro, atraiu 830 profissionais, que participaram de uma larga variedade de seminários, e 70 expositores. Os palestrantes incluíram, entre outros, Jay Ablondi, vice-presidente executivo de desenvolvimento da IHRSA, e editor da CBI, e Carlos Alberto Parreira, técnico da seleção brasileira de futebol nas copas de 1994 e 2006. Nossa Wellness Rio Expo atraiu mais de 30.000 visitantes. Enquanto a IHRSA claramente ajudou o desenvolvimento da indústria no Brasil, eu acho que a Fitness Brasil pode possivelmente ajudar a IHRSA a crescer no mercado de Wellness nos EUA, assim como no mundo. No Brasil e na Europa, a ênfase principal é no wellness, mais do que em fitness ou perda de peso, mas nos EUA, esse conceito parece estar começando.

CBI: Falando de wellness, como está a saúde pública no Brasil? A obesidade é uma preocupação? Qual a situação em termos de assistência médica?

WS: Sim, obesidade é um problema, mas não chega nem perto da prevalência existente nos EUA e no Reino Unido. Os níveis de sobrepeso e obesidade, no entanto, tiveram uma escalada no momento em que adotamos os hábitos diários americanos. Nós precisamos fazer um melhor trabalho na educação de nossas crianças para evitarmos uma geração de pessoas obesas. Em relação aos cuidados com a saúde, Brasil, infelizmente, tem um sistema totalmente defasado. O governo, então, começou a encorajar as pessoas a se exercitar para melhorar sua saúde e reduzir gastos futuros com saúde. Empresários estão começando, também, a pensar o wellness como um componente promissor como cuidado com a saúde.

CBI: Como é a programação do fitness no Brasil em relação com os EUA? Quais são as maiores tendências no momento?

WS: Pilates e Treinamento Funcional são muito populares. Programas pré-formatados, aqueles em que o exercício trabalha o todo o corpo com utilização de pequenos pesos, resistências elásticas, bolas, e isometria, estão indo bem. Treinos individuais e em grupo são, também, muito populares. Estúdios que oferecem serviços mais customizados estão começando a aparecer, e nós estamos vendo mais atenção voltada para o lado divertido do exercício.

CBI: Dado um crescimento estável para esta indústria, achar professores qualificados deve ser um desafio real. Qual é a situação em relação aos instrutores, disponibilidade, certificação, etc?

WS: De fato, achar bons professores não é um problema. Nós estamos melhores do que muitos países nesse assunto. No Brasil, a lei impõe que todos os instrutores obtenham certificado de bacharel em educação física e sejam registrados no Conselho Federal de Educação Física (CONFEF). Nós consideramos isso como uma vantagem porque as academias sempre terão profissionais qualificados para atender seus clientes. O Brasil, além disso, desenvolveu o primeiro curso de pós-graduação em wellness no mundo, e tem reconhecimento pelo Ministério da Educação (MEC). O curso faz uso de um programa de ensino à distância, em combinação com curso de extensão universitária, para tranformar os profissionais de fitness e welness em consultores de qualidade de vida.

CBI: Uma série de coisas parecem estar acontecendo no Brasil em relação à saúde e o fitness. Quais são as maiores barreiras para o crescimento dessa indústria?

WS: As margens de crescimento para nosso setor são bem pequenas por causa dos impostos, primeiramente associados com a folha de pagamento – que repesenta o maior gasto. O Brasil é reconhecido pela sua supertaxada folha de pagamento. Além disso, nós temos o Imposto Sobre Serviços (ISS), o PIS (Programa de Integração Social) e o COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social). Eles são calculados de acordo com as receitas, retirando qualquer dedução em créditos aplicáveis, mas, pela natureza do nosso negócio, nós utilizamos pouco o crédito. Idealmente, os impostos PIS e COFINS para nosso setor deveriam ser de 0,65% e 3%, respectivamente, ou 3,65% de todas as vendas, mas, na verdade, nós pagamos, 1,65% e 7,6%. E também, para grandes academias, nós temos o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Nós também pagamos um imposto de renda federal e uma Contribuição Social, como qualquer outra companhia brasileira.

CBI: Isso soa um pouco doloroso. E a recessão global? Que tipo de impacto tiveram as academias em relação as receitas e aos planos de expansão?

WS: A queda econômica veio como uma surpresa, mas todas as academias que eu estou familiarizado no Brasil estão tão bem quanto, ou melhores, do que estavam no último ano. Enquanto, no passado, as pessoas deixavam a academia porque consideravam superfluo, eles não parecem pensar mais assim. Algumas academias, no entanto, atrasaram a renovação de seus equipamentos e de seus planos de expansão.

CBI: Para o futuro, o que você ve acontecendo com a indústria brasileira? E, além disso, quais são seus objetivos pessoais?

WS: O mercado brasileiro continuará a descobrir, reinventar, e transformar a si mesmo. Como nos EUA e na Europa, o setor terá muitos segmentos – grandes redes, academias independentes de bairro, estúdios pequenos, e unidades especializadas para crianças, mulheres, idosos, grupos especiais, como aqueles com diabetes, problemas cardíacos, e indivíduos com obesidade mórbida. As companhias que melhor servirem as necessidades desses mercados, e que investirem mais sabiamente em inovação e tecnologia, serão os líderes de amanhã. Em relação aos meus objetivos pessoais: Eu quero dividir o conceito de wellness com algumas das mais necessitadas populações do Brasil através de academias nos subúrbios de São Paulo. Eu espero estar apto para educá-los sobre prevenção, e promover a atividade física profissionalmente orientada com sucesso.

por Pat Amend
Tradução: FMS – Fitness Management School (www.fitnessmanagement.com.br)