Academias só para mulheres invadem as cidades brasileiras

03 de setembro de 2015 ● POR Redação

Mulheres exigentes e preocupadas com a saúde, mas que querem ficar à vontade na hora de fazer ginástica, formam a clientela desse negócio que já tem 10 mil unidades em mais de 20 países.

Verdadeiros clubes das Luluzinhas, com a entrada totalmente proibida para homens, as academias só para mulheres estão invadindo as cidades brasileiras de médio e grande porte. Com paredes roxas, vermelhas ou rosas, e o secador de cabelos como equipamento indispensável nos banheiros, em Belo Horizonte já há opções em diversos bairros. Sejam franquias americanas ou projetos de formatação local, são tipos de negócios que chegaram para ficar, pois conquistam uma clientela exigente, preocupada com a saúde e que quer ficar mais à vontade na hora de fazer ginástica.

A pequena empresária Juliana Zuppo é uma das ´sócias´ mais animadas na academia que freqüenta diariamente, a Curves. “A ginástica é em apenas 30 minutos. A gente faz rapidinho, fica livre e vai embora”, observa. “Como não tem homem, não precisamos nos produzir ou tomar cuidado na hora de levantar as pernas”, afirma. Para ela, o gasto de R$ 119 por mês é um bom investimento. “Já fiz musculação em outras academias. Agora, não troco mais”, garante.

O master franqueado da rede americana Contours Express para o Brasil, Antônio Cassiano Frota Ximenes, trouxe esse tipo de negócio para o país em 2004. O sistema de 30 minutos diários de ginástica feita em circuitos que revezam exercícios aeróbicos com equipamentos hidráulicos era uma grande novidade, na época. Hoje, ele conta com 59 franquias no país. Dessas, duas já estão em funcionamento em Belo Horizonte e, em um mês, outras duas, nos bairros Sion e Santa Lúcia, serão inauguradas. Segundo ele, o investimento inicial na montagem de uma academia feminina é de R$ 200 mil. As mensalidades custam, em média, R$ 118. E o número de clientes gira em torno de 240. “É um negócio interessante. Não compete com as academias convencionais”, diz Ximenes. Segundo ele, no mundo já há mais de 10 mil academias para mulheres, espalhadas em 20 países. Até o fim do ano ele espera estar com 80 Contours abertas no Brasil.

A ex-jogadora de vôlei Fernanda de Carvalho Doval, de 32 anos, foi a franqueada pioneira da Contours em Belo Horizonte, em agosto de 2005. “No começo, senti um pouco de dificuldade, porque a mineira é mais conservadora”, conta. Hoje, ela já comemora o sucesso do negócio e tem 240 alunas. A decoradora Elaine Alvim Cezarini Tavares foi a primeira a abrir em BH uma academia da Curves, que hoje tem 170 unidades no Brasil e também segue padrões americanos. Ela inaugurou sua unidade, no Woods Shopping do Luxemburgo, em março de 2006. “Era um negócio que estava abrindo horizontes no Brasil”, conta. O sistema de circuito chamou a atenção das mulheres do bairro. E o número de alunas triplicou. “Temos desde sócias de 12 anos até senhoras com mais de 70”, observa. Segundo Elaine, as aulas de meia hora também ajudam na conquista das mulheres, que se desdobram entre as atividades de casa, dos filhos e do trabalho. A academia tem paredes roxas. E os espelhos foram abolidos, para deixar as clientes mais à vontade e concentradas apenas nos exercícios.

“Elas têm um espaço que é só delas. Muitas nunca tinham freqüentado academias antes. A dona-de-casa Bianca Hermanny Cotta Pereira, de 30 anos, começou a fazer aulas em academia de mulheres há um mês e meio. Depois que engravidou de seu filho João, de 1 ano, ganhou peso e não pôde fazer ginástica em academias convencionais por causa de uma hérnia de disco. “Como o circuito não tem exercício de impacto, pude fazer e já perdi três quilos”, conta, satisfeita. A estudante Fernanda Alves da Cruz Mauro buscou uma unidade da Curves por opção. “Enjoei das outras academias. Queria algo diferente”, conta. “Estou gostando bastante.” Ela paga R$ 129 para fazer as aulas de segunda a sexta.

O fisioterapeuta Vitor Luiz Melilo Martins optou por formatar sua própria academia só para mulheres. A Feminina Fitness e Estética nasceu em Belo Horizonte, no Bairro Gutierrez, e hoje tem 230 alunas. Contando com as clientes dos tratamentos de estética e salão de beleza, serviços que considera essenciais para esse tipo de negócio, passam perto de 500 mulheres, por mês, pela Feminina. Para ele, o mercado não poderia ser melhor. Tanto que já está avaliando duas propostas para ampliar sua rede para os bairros São Bento e Buritis. “Vamos lançar franquias”, adianta. A mensalidade média para ginástica, musculação e hidroginástica fica em R$ 120. Há exercícios convencionais e também em circuitos. “As academias para mulheres são uma tendência”, garante.

A professora de educação física Luciana Alencastre Gosende é uma das funcionárias da Curves. “É um mercado inovador, em ampliação. É ótimo para as professoras”, afirma. Para ela, o sistema de circuito funciona bem para todos os tipos de mulheres. “O bom é que a meia hora de ginástica feita dessa forma gera os mesmos resultados que uma hora e meia de musculação convencional”, diz. “As mulheres ficam satisfeitas com os resultados e os maridos aprovam porque não têm motivos para se preocupar”, reforça. Segundo ela, muitos já chegaram até a porta da academia para tentar conferir o que ocorre lá dentro. São barrados na recepção, onde recebem todas as informações necessárias.