Dia do Profissional de Educação Física: uma data para termos orgulho!

01 de setembro de 2019 ● POR Alessandro Lucchetti

Dia 1º de setembro é dia de ter orgulho. Apesar da falta de valorização dos professores que batalham nas escolas, o primeiro dia do mês que traz consigo a primavera é o momento de lembrar da importância da profissão.

“Desde 1998 o mês de setembro tem sido de grande importância para a Educação Física, pois foi neste mês que ganhou o status de profissão. A regulamentação só foi possível por conta do envolvimento de alguns que estão presentes aqui, hoje: foram eventos, viagens, reuniões que demandaram tempo e dedicação para que a profissão fosse reconhecida”, diz o professor Rogério Melo, presidente do CREF1. “Durante esses 21 anos várias ações foram promovidas para que o profissional de Educação Física passasse a ser visto pela sociedade como importante para melhora da qualidade de vida da população, como um profissional que atua na prevenção das mais variadas doenças e com atuação comprovada para todos os tipos de reabilitação”, acrescenta o dirigente.

Em meio às atribulações do Troféu Brasil de Atletismo, em Bragança Paulista, Carlos Camilo, que é profissional de Educação Física e pai de um dos principais velocistas da história do atletismo brasileiro, Paulo André, parou para falar com a equipe de reportagem do Portal da Educação Física.

“Já dei aulas em ensino fundamental, médio e na Unesc, em Colatina. Sempre disse que o curso de Educação Física é o melhor do mundo. Tenho todo o respeito pelos outros, mas pense bem: quando o professor de Educação Física falta, os alunos lamentam, reclamam. Quando os professores das outras disciplinas não comparecem, a garotada comemora”, brinca o treinador, que chegou a correr em provas com o astro Carl Lewis nos primeiros anos da década de 80.

“Sem o nosso trabalho, não existiriam esses atletas que você vê hoje aqui”, diz Camilo, apontando para a pista azul do Centro Nacional de Desenvolvimento de Atletismo, referindo-se à nata do atletismo brasileiro. “Somos nós que iniciamos tantos atletas”, completa.

Camilo quase teve uma noite histórica na última quinta-feira: seu filho correu os 100m em 9s90. Poderia ter sido o novo recorde sul-americano, que pertence a Robson Caetano desde 1988. O vento a favor, a 3,2 metros por segundo, no entanto, estava acima da velocidade permitida (2 m/s), e a marca não foi homologada. O treinador capixaba sabe da importância de buscar conhecimento para pilotar a máquina de correr que é o seu filho.

“Meu curso de graduação só me deu pinceladas sobre o atletismo. O que aplico mesmo é o conhecimento que acumulei nos tempos de atleta e o que acrescentei com os cursos de pós-graduação: o de personal trainer, que fiz na Unisantana, e de didática de ensino superior”.

Mesmo assim, Camilo se diz leitor voraz de estudos científicos. A ideia é aprimorar todas as partes que compõem a prova: saída do bloco, aceleração, chegada…

“O melhor do Paulo é a chegada. Ele tem resistência e, quando os outros estão caindo, ele está ainda mantendo a velocidade”.

Para se aprimorar, Camilo conta com a ajuda de outros experientes treinadores de velocistas, como Katsuhico Nakaya, responsável pelos treinamentos de, entre outros talentos, o de Vitória Rosa. “Você não deve ter vergonha de perguntar. Pergunto aos meus colegas. Quanto aos estudos científicos, aconselho que todo profissional de Educação Física leia. Mas uso com parcimônia: eles fazem as receitas, mas quem faz o bolo sou eu”, diz Camilo, que sonha com o dia em que seu filho correrá abaixo dos 10s. “Vai sair no Mundial de Doha”, diz o educador, referindo-se ao evento que terá início no dia 27 de setembro, no Khalifa International Stadium.