Pedra, papel, tesoura e correria: joquempô com corrida faz sucesso fora do horário de aulas

04 de fevereiro de 2019 ● POR Alessandro Lucchetti

Duas horas semanais de Educação Física no Ensino Fundamental e Médio. Em muitas escolas do Brasil, essa é a carga horária reservada à disciplina. Claramente insuficiente e abaixo da recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que preconiza a necessidade de que as pessoas tenham atividade física por ao menos 150 minutos semanais, essa carga deve ser complementada pelas crianças em brincadeiras em casa, na rua, na hora do recreio, no clube, subindo escadas…

Na Escola da Vila, referência em ensino construtivista em São Paulo, o professor Marcos Santos Mourão comemora o sucesso de atividades propostas às crianças durante as aulas. Uma delas é o joquempô com corrida: aquela famosa brincadeira de embate entre tesoura, pedra e papel atrelada à corrida de determinadas distâncias. Mourão constatou, satisfeito, que a brincadeira emplacou e é praticada no recreio e em outros horários livres da garotada, antes e depois das aulas. 

“Quando as próprias crianças se organizam espontaneamente, fora do horário de aula, para uma atividade como essa, temos um indicador de que houve uma aceitação muito grande dela. É sinal de que o professor deu uma bola dentro”, diz o especialista em Educação Física escolar. “Um doas nossos objetivos é que as crianças usufruam do repertório de brincadeiras e levem isso para outros contextos, seja na escola ou em seus bairros”.

O joquempô com corrida (ou corrida pô) funciona da seguinte forma: duas filas de crianças são formadas, uma de frente para a outra. Assim que o jogo começa, uma criança de cada fila sai correndo e se encontra com um adversário para jogar o joquempô. Quem ganha continua correndo, e o perdedor vai para o final da fila. Aquela que ganhou encontra a criança seguinte da fila e tira pedra, papel ou tesoura novamente. Quem ganhar de toda a fila adversária marca um ponto. 

Imaginar brincadeiras de rua que possam ser incluídas nas aulas de Educação Física e depois “adotadas” pelas crianças, para que as pratiquem na hora do recreio ou em outros momentos livres, é um belo exercício. Hoje a indústria já oferece kits para o popularíssimo jogo de taco, por exemplo, que é praticado nas ruas com pedaços de madeira e latinhas.

O joquempô com corrida, por exemplo, tem variantes: segundo Mourão, pode ser praticado com a inclusão de obstáculos, em parede de escalada, em barra de equilíbrio ou em piscinas.

“O joquempô com corrida é interessante porque, mesmo que a criança seja rápida na corrida, não é isso que vai determinar a vitória. É importante perceber que o outro perdeu para sair já correndo. É necessário também usar estratégia e prestar atenção no tipo de escolha dos adversários. Mas o mais decisivo mesmo é a questão da sorte e do azar”, salienta Mourão.

Todo esforço é válido para incentivar as crianças a se manterem ativas fora do horário das aulas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 15% das crianças brasileiras de 5 a 9 anos de idade têm obesidade. Uma em cada três não é obesa, mas está com peso acima do recomendado pela OMS e pelo Ministério da Saúde. Estudos do Instituto Esporte e Educação projetam que essa nova geração tem expectativa de vida cinco anos inferior à de seus pais devido à falta de exercícios físicos.