Primeiro transgênero da Uefs se forma em Ed. Física

26 de setembro de 2018 ● POR Redação

A cerimônia de Colação de Grau da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) foi realizada na última quinta (20), e contou com um acontecimento inédito. O aluno de Educação Física, Bruno Silva de Santana foi o primeiro estudante transgênero a concluir um curso de graduação na instituição.

Dados mostram que pessoas trans e travestis fazem parte dos grupos historicamente excluídos desde o Ensino Básico até o Ensino Superior, e consequentemente, também, do mercado de trabalho. Porém, felizmente, essa realidade está começando a mudar aos poucos.

“Essa conquista não é apenas minha, é também de toda população trans e travesti que tem seus direitos negados. Como disse no discurso de formatura, apenas 2% da população trans estão nas universidades. Expulsas da escola, da família e do mercado de trabalho, vivem às margens de um ‘cis-tema’ que nos silencia, invisibiliza e nos extermina cotidianamente”, afirmou Bruno Santana.

Em 2015, a Uefs passou a garantir aos estudantes, servidores-técnicos e docentes, o direito a uso de nome social nos registros acadêmicos. Antes de ter seu registro civil retificado para nome e gênero, Bruno Santana utilizou o nome social na Uefs.

“Ao adotar essa possibilidade, a Uefs deu um grande passo no sentido de reconhecer a existência dessa população. Ações como essa, refletem não somente na minha trajetória acadêmica dentro do curso de Educação Física, mas também reverberam na vida de todas as pessoas que passaram a conviver com a transgeneridade dentro da universidade. Mas, ainda é necessário criar políticas públicas que possibilitem a permanência desse grupo historicamente marginalizado e excluído de todas as esferas da nossa sociedade”, ressaltou.

De acordo com Ana Maria Carvalho, professora e pró-reitora de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis da instituição, “o que motiva a Universidade a desenvolver políticas afirmativas para os grupos historicamente excluídos é o compromisso da Instituição com a defesa da democracia, do reconhecimento das diferenças e da necessidade de combater as práticas que reforçam as desigualdades”.