Ex-atletas na política: o que oferecem ao esporte?

31 de agosto de 2018 ● POR Nathalia Almeida

Com o fim da carreira esportiva, muitos atletas se aventuram em cargos relacionados ao esporte, como treinadores e empresários. Outros, no entanto, decidem usar a popularidade adquirida para entrar na política.

Em 2018, com as eleições no dia 7 de outubro, serão eleitos o Presidente do Brasil e o Vice-presidente, assim como membros do Parlamento. Serão 513 deputados federais e 54 senadores, além dos vinte e sete governadores dos Estados e do Distrito Federal.

Muitos ex-atletas já estão na política há alguns anos, enquanto outros estão chegando agora. Para você ter uma ideia da relação deles com o meio esportivo, listamos cinco nomes que vêm chamando a atenção da mídia.

João Derly, Bobô, Danrlei, Romário e Maurren Maggi são ex-atletas na política, já com mandato ou tentando, e foram os candidatos escolhidos para a nossa análise. Veja abaixo:

João Derly (Deputado federal – Rio Grande do Sul)

O deputado, de 37 anos, é bicampeão mundial de judô e ouro nos jogos Pan-Americanos de 2007. Entrou para a política em 2012, como vereador de Porto Alegre, e em 2014 passou a ser deputado federal no Rio Grande do Sul. Este ano, está concorrendo à reeleição pelo partido REDE.

Derly foi responsável por propor, em 2017, o projeto de lei que eleva a arte marcial Jiu-Jitsu em manifestação da cultura nacional. Aguardando a designação de Relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), o projeto busca elevar a condição do esporte no Brasil, justificando seu desenvolvimento próprio e diversificado no país.

Além de solicitar moções de congratulações aos atletas olímpicos, Derly também foi responsável por solicitar à Comissão do Esporte (CESPO) uma Audiência Pública para debater a violência nos estádios, e por pedir ao Ministro de Estado do Esporte a regulação dos Programas Esporte e Lazer da Cidade (PELC) e Vida Saudável (VS). A primeira foi realizada e arquivada, enquanto a segunda passou pela aprovação do então deputado Eduardo Cunha, e está pronta para Pauta na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados (MESA).

Filiado à Rede Sustentabilidade, Derley tem grandes projetos relacionados ao consumo sustentável e à energia alternativa. Para o esporte, o deputado também levantou pautas de incentivo aos programas esportivos, principalmente na atuação de bolsas de estudos.

No apoio à Eduardo Leite (PSDB), como governador do Rio Grande do Sul, Derley e a REDE fecharam apoio justificado pelas propostas do tucano acerca do esporte e da educação.

Raimundo Tavares – Bobô (Deputado estadual da Bahia)

Raimundo Nonato Tavares, o Bobô, entrou para a política em 2014, quando foi eleito com 27.242 votos para o primeiro mandato de deputado estadual pelo PCdoB, no estado da Bahia. Antes, ele defendeu o clube do estado durante seis anos.

Após deixar o futebol, o ex-jogador de 55 anos foi diretor geral da Superintendência dos Desportos (Sudesb), tentando levar políticas públicas na área do esporte para o interior do estado. Já como deputado, Bobô propôs a criação e foi eleito presidente da Comissão de Desporto, Paradesporto e Lazer da Assembleia Legislativa.

Entre suas pautas, está a promoção de inclusão social através de políticas esportivas. Durante este ano, como deputado estadual, Bobô discutiu o Programa Esporte e Lazer da Cidade (PELC) e a iniciação esportiva na capital baiana. Ele também apoiou o projeto social Tambori e a 26º Copa Rural, da cidade de Itiúba.

Além do futebol, o deputado também reconheceu outros projetos esportivos de inclusão, como a capoeira e a equoterapia.

Danrlei de Deus Hinterholz (Deputado Federal – Rio Grande do Sul)

O ex-goleiro do Grêmio entrou para a política em 2010 como deputado federal pelo Rio Grande do Sul. Ex-atleta mais votado nas Eleições de 2010 em todo o Brasil, Danrlei entrou na política pelo PTB, mas está no PSD desde 2011.

Como deputado, Danrlei propôs pautas esportivas voltadas mais ao futebol. Um de seus projetos visa proibir a entrada de indivíduos com histórico de brigas e agressões, nos estádio.

Seguindo essa onda de conscientização, neste ano, ele apresentou outro projeto que analisa a proposta de obrigar entidades responsáveis pela organização de evento esportivo a instalar aparelhos de identificação biométrica. Valendo para estádios com capacidade para mais de 10 mil pessoas, o objetivo é identificar torcedores judicialmente impedidos de frequentar estádios.

Romário de Souza Faria (Senador – Rio de Janeiro)

Na política desde 2009, Romário foi eleito deputado federal do Rio de Janeiro, pelo PSB, e em 2014, foi senador do Rio de Janeiro. Agora, com 52 anos, está concorrendo ao cargo de governador do mesmo estado, pelo Podemos. O tetracampeão mundial pela seleção brasileira tem defendido no Legislativo pautas de combate à corrupção, de direitos aos menos favorecidos e do deficiente físico e mental, e em defesa ao esporte.

Seus principais projetos em trâmite acerca do esporte diz respeito ao projeto que procura tornar as seleções esportivas do País integrantes do patrimônio cultural brasileiro, e à proposta que busca atribuir o direito à aposentadoria especial ao atleta profissional. Ambos estão com os relatores atuais. Ele também criou a PLS 26/2015, que visa a criação do Fundo Nacional do Legado Olímpico e Paralímpico, no momento está em tramitação.

Suas pautas para o esporte também estão relacionadas ao legado da Copa do Mundo 2014 e às Olimpíadas Rio 2016, que deixaram estruturas inutilizáveis. Levantando projetos no Senado, Romário busca outras alternativas para tornar os locais acessíveis.

Maurren Higa Maggi  (Ex-atleta – São Paulo)

Primeira vez na política, Maggi é candidata ao Senado de São Paulo, pelo PSB. Considerada um dos maiores nomes olímpicos brasileiros, a ex-atleta foi medalha de ouro no salto em distância nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e vem apostando na popularidade adquirida ao longo dos anos representando o esporte.

Com a candidatura oficializada em agosto, Maggi passou a ser pauta referente à diversos momentos em que se absteve da política. Como ex-atleta, ainda há dúvidas se sua candidatura pode ser vista como um recurso ao esporte do país.

Por enquanto sem propostas para programas esportivos, Maggi também não demonstrou entusiasmo em lutar pela causa do esporte antes e após se aposentar.