Hormônios que podem sabotar sua dieta

23 de dezembro de 2016 ● POR Karina Dias

Você sabia que a sua vontade desesperada e incontrolável por doces pode ser uma resposta a alterações de substâncias chamadas hormônios ou neurotransmissores? Aqui vou contar um pouquinho sobre o que pode estar te fazendo trair a sua dieta.

1. Serotonina: esse é o mais famoso de todos. A serotonina (5-HT) desempenha um importante papel no sistema nervoso, com diversas func?o?es, como a liberac?a?o de alguns hormo?nios, regulac?a?o do sono, temperatura corporal, apetite, humor, atividade motora e func?o?es cognitivas.

Alterac?o?es nos ni?veis de 5-HT (baixos ni?veis ou problemas na sinalizac?a?o com o receptor) te?m sido relacionadas ao aumento do desejo de ingerir doces e carboidratos. Com quantidades normais de 5-HT, a pessoa atinge mais facilmente a saciedade e consegue maior controle sobre a ingesta?o de ac?u?cares. Os ni?veis adequados deste neurotransmissor no ce?rebro dependem da ingesta?o alimentar de triptofano (aminoa?cido precursor da serotonina) e de carboidratos.

2. Leptina: a leptina, produzida no tecido adiposo branco, atua nos receptores expressos no hipota?lamo para promover a sensac?a?o de saciedade e regular o balanc?o energe?tico. Então pensamos aqui: quanto mais gordinha a pessoa, mais leptina e, portanto, menos fome, certo? Errado. Em altas concentrac?o?es se?ricas, a leptina na?o consegue atuar devido a? resiste?ncia que acaba limitando seu efeito anore?xico e, por essa razão, o obeso acaba tendo os efeitos de deficiência de leptina.

3. Insulina: a insulina e? produzida pelas ce?lulas beta do pa?ncreas e a sua concentrac?a?o se?rica tambe?m e? proporcional a? quantidade de tecido adiposo. Com seu efeito anabo?lico, a insulina aumenta a captac?a?o de glicose, e a queda da glicemia e? um esti?mulo para o aumento do apetite.

Porém, temos estudos demonstrando que a insulina tem uma func?a?o essencial no sistema nervoso central para incitar a saciedade, aumentar o gasto energe?tico e regular a ac?a?o da leptina. Ainda temos a questão de que o excesso de insulina faz com que o indivíduo apresente resistência a essa da mesma forma que ocorre com a leptina. Outra questão é que o excesso de insulina irá causar uma queda abrupta da glicemia, causando um aumento do apetite rebote.

4. CCK: estudos demonstram que a saciedade prandial e? atribui?da predominantemente a? ac?a?o da CCK, um peptídeo intestinal que e? liberado pelas ce?lulas I do trato gastrintestinal, em resposta a? presenc?a de gordura e protei?na. A CCK, ale?m de inibir a ingesta?o alimentar, tambe?m induz a secrec?a?o pancrea?tica, a secrec?a?o biliar e a contrac?a?o vesicular.

5. PYY: Outro inibidor da ingesta?o alimentar e? o pepti?deo YY, ou PYY. Este pepti?deo e? expresso pelas ce?lulas da mucosa intestinal e sugere-se que a regulac?a?o e? neural, ja? que seus ni?veis plasma?ticos aumentam quase que imediatamente apo?s a ingesta?o alimentar. Obesos apresentam menor elevac?a?o dos ni?veis de PYY po?s-prandial, especialmente em refeic?o?es noturnas, levando a uma ingesta?o calo?rica maior.