Obesidade e sobrepeso em adolescentes: pesquisa revela variáveis importantíssimas para PEFs

23 de fevereiro de 2017 ● POR Pedro Cunácia

Tema complexo de estudo de diversos pesquisadores, a obesidade durante a infância e a adolescência é, amplamente, discutida no mundo pela importância que esses ciclos da vida possuem para o futuro.
Desta forma, fomos buscar explicações científicas que pudessem auxiliar no entendimento dos profissionais de educação sobre esse contexto de forma que possam atuar de maneira mais profunda com casos desse tipo.
Encontramos nessa pesquisa, realizada por alunos da Universidade do Porto, dados muito interessantes que podem ajudar na reflexão do tema.
Este estudo relaciona atividade física (AF), aptidão física (AptF), maturação biológica e “status” socioeconômico (ESE) com as prevalências de risco ponderal de adolescentes. Foi desenvolvido no Concelho de Santo Tirso, região norte de Portugal e amostrou 961 alunos (463 meninos e 498 meninas) com idades variando entre os 11 e os 18 anos.
O índice de massa corporal foi utilizado para estabelecer o “status” ponderal com base nos pontos de corte propostos por COLE et al. A AF foi avaliada através do questionário de Baecke e a AptF com quatro testes da bateria Fitnessgram. O ESE foi estimado a partir do acesso aos escalões atribuídos pela Ação Social Escolar e a maturação biológica a partir do “offset” maturacional. A análise estatística foi efetuada nos “softwares” Pepi versão 4.0 e SPSS 18.0.
O nível de significância foi mantido em 5%. Seis por cento dos alunos eram obesos e 19,5% tinham sobrepeso; meninos e meninas têm prevalências semelhantes de sobrepeso e obesidade. Os níveis médios de AF foram baixos a moderados independentemente do sexo ou “status” ponderal.
Os meninos eram mais ativos que as meninas (p < 0,001), mas não se registraram diferenças significativas entre os alunos com obesidade e sobrepeso e os normoponderais. Na AptF, um número superior a 50%, foi considerado inapto, i.e, não obtiveram taxas de sucesso em todos os testes. Os alunos com sobrepeso e obesidade foram mais inaptos.
Alunos com “offset” maturacional mais avançado e os mais novos tinham mais chances de ter sobrepeso e obesidade, mas não houve relação significativa entre o ESE e o “status” ponderal. Concluímos que os jovens Tirsenses apresentam prevalências de obesidade e sobrepeso elevadas, são relativamente pouco ativos e, em grande medida, fisicamente inaptos.
Para acessar a pesquisa na íntegra, clique aqui
Autores: Cláudia Figueiredo; Daniel Santos; Michele Souza; André Seabra; José Maia
Faculdade de Desporto, Universidade do Porto – Portugal
Rev. bras. educ. fís. esporte (Impr.) vol.25 no.2 São Paulo abr./jun. 2011